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Do que você tem medo?

Postado por Daniel Pena em sábado, 3 de novembro de 2012 | 14:48

o objeto do medo
Para que o iconoclasta possa, de fato, romper tradições e  criar coisas novas, ele precisa ter a mente livre de algumas limitações cognitivas como, por exemplo, poucas alternativas para interpretar seus estímulos sensoriais. Deve, portanto, construir um grande repositório de informações, através da contínua renovação de suas experiências.
Buscar coisas novas e lidar com o desconhecido representa, no entanto, sair da nossa zona de conforto e trafegar por regiões onde não temos nenhum histórico. Significa encararmos desafios para os quais não estamos preparados. Mergulhar num poço que não sabemos a profundidade. E é justamente esse tipo de comportamento que dispara os sistemas de medo no cérebro.

Ao defender uma posição estranha à maioria o iconoclasta expõe-se, no mínimo, ao fracasso. Todos temos medo de errar, de perder, de não conseguir. E, assim, muitos de nós antecipamos nosso insucesso e transformamos o medo de errar em medo de tentar. Especialmente quando todos os que já tentaram não conseguiram.

Por esse motivo, muitos preferem juntar-se à multidão em vez de enfrentá-la. Alguns deixam de acreditar em suas próprias idéias para não soarem estranhos ao grupo. Outros, ainda, forçam sua percepção para adequá-las ao senso comum, por medo de parecerem diferentes.

O psicólogo polonês Solomon Asch mostrou isso num célebre experimento na década de 1950, onde todos numa sala eram seus assistentes de pesquisa, menos um - que era a vítima, digo, o objeto da pesquisa. O estudo consistia numa série de testes visuais, onde a maioria das pessoas (que sabiam do experimento) respondia, propositadamente, de forma equivocada. Para espanto de Asch, o indivíduo estranho seguia a resposta do grupo, mesmo quando ela era nítidamente incorreta. O fato é que ninguém gosta de parecer burro, mas parecer estranho soa bem pior.

Essa conformidade é exercida no nível da tomada de decisão numa capitulação covarde ante à maioria. Muitos marcham com a multidão sem ter, sequer, a consciência disso o que sugere, assim, que sua percepção foi alterada.
Mesmo ciente do que estava vendo e discernindo entre certo e errado, a pressão social exercida pelo grupo levava o voluntário a ir contra suas convicções, em favor do consenso. Mas é preciso, de fato, muita coragem para ir contra o senso comum, discordando da opinião geral.

Em diversos ambientes o medo de algum resultado negativo - ou até mesmo a euforia de um resultado positivo* - pode alterar nossos sentidos. Diversos experimentos mostram alterações importantes na forma como as pessoas tomam decisões, dependendo da sua exposição a fatores de estresse, pelo modo como essas situações influi em suas percepções.
Essa abordagem sobre o medo lembrou-me um exemplo interessante conduzido pelos já citados Tversky e Kahneman, que li em Inevitable Illusions: How Mistakes of Reason Rule Our Minds (Wiley, 1994) de Massimo Piattelli-Palmarini, onde era oferecido ao voluntário uma de cada par de situações abaixo:

A) US$ 300,00 e mais US$ 100,00 certos ou (B) jogar uma moeda onde você teria mais US$ 200,00 se ganhasse ou zero se perdesse; ou
(C) US$ 500,00 e perder US$ 100,00 com certeza ou (D) jogar uma moeda e ficar sem US$ 200,00 se perder ou manter o que tem se ganhar.
Antes de passar adiante, pense em como você agiria em cada uma delas.

Do ponto de vista da probabilidade, a expectativa em ambos os casos é terminar com US$ 400,00 o que tornaria indiferente a escolha entre qualquer uma das quatro alternativas. Na prática, porém, prefere-se A em vez de B e D em vez de C. A conclusão é que ninguém quer arriscar um ganho certo, mas frente a uma perda certa, aceita-se o risco. O fato é que o medo de perder dinheiro - ou de falhar - nos faz tomar decisões inconsistente com os modelos econômicos a que recorremos, na medida em que altera o funcionamento dos nossos sistemas de percepção.

Um dos sistemas responsáveis por nossa reação ao medo é a amígdala, uma pequena estrutura do tamanho de uma amêndoa, localizada no lobo médio temporal e integrante do sistema límbico. Além de regular outras nuances emocionais, é ela que registra na memória as situações às quais reagimos amedrontadamente.

A amígdala coordena o que os cientistas chamam hoje de condicionamento ao medo. Assim como Pavlov demonstrou o reflexo condicionado do cachorrinho salivando ao ouvir a sineta anunciando a hora do almoço, algumas situações podem disparar os mecanismos do medo de forma automática (como taquicardia, respiração ofegante, boca seca etc.).

Recentes pesquisas mostram que o condicionamento ao medo pode ser adormecido, jamais completamente apagado. Se algum estímulo nos condicionou a alguma forma de medo, mesmo que nunca mais sejamos expostos a ele novamente, suas cicatrizes permanecem adormecidas em nossa memória, esperando o momento de assombrar-nos novamente.

Mas Berns aponta alternativas para essa pseudo-maldição. Como não podemos evitar maus momentos para sempre (o que seria ideal), a estratégia seria enxergar episódios negativos - e que poderiam desencadear um condicionamento ao medo - sob uma outra perspectiva, um diferente ponto-de-vista. Um ótimo exemplo que me vem à cabeça é o filme A vida é bela, onde o personagem de Roberto Benigni mostrava o campo de concentração a seu filho como uma grande brincadeira.

A constante exposição ao objeto do medo pode, também, reduzir seu efeito. Ensaiar exaustivamente, na frente dos seus colegas, aquela apresentação importante que será feita à diretoria pode preparar-lhe melhor para o derradeiro sacrifício (ops, tente pensar nisso sob um outro ponto-de-vista!).

Outro importante fator que influencia o medo foi descoberto recentemente com as modernas tecnologias da engenharia genética. Dois dos principais reguladores da quantidade de dopamina (um neurotransmissor estimulante do sistema nervoso central) disponível na fenda sináptica (onde ocorrem as reações) são a DAT e a COMT. O que se descobriu é que uma simples mutação de apenas um par de amino-ácidos na cadeia protéica do gene responsável por essas substâncias, pode reduzir drasticamente a quantidade de dopamina na fenda sináptica.
Indivíduos com esse padrão podem exibir comportamentos insensíveis ao risco, ou ainda, buscar quantidades, intensidades e freqüências muito maiores de emoções para atingirem o nível de excitação desejada.


 Assim, não basta ao iconoclasta conseguir enxergar o mundo de forma diferente. Ele precisa de coragem para mostrar ao mundo o que está vendo, pois seu destino será remar contra a maré. Por isso ele sofrerá, inevitavelmente, o medo e a dor do isolamento social e, provavelmente, alguma hostilidade. Mas deve estar ciente, acima de tudo, que o medo age como o álcool, prejudicando a percepção e o julgamento e não se deve, portanto, tomar decisões sob o efeito de nenhum dos dois.

Apesar de tudo parecer conspirar contra, veremos no próximo texto que o iconoclasta não faz tudo sozinho. Entenderemos como e onde ele consegue aliados e qual o papel deles na difusão de suas (novas) idéias e com que tipo de habilidades ele conta para isso. Breve, muito breve.


 Fonte / www.naopossoevitar.com.b


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