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Francis Bacon - Cada pessoa tem sua caverna ou toca particular

Postado por Daniel Pena em quarta-feira, 26 de maio de 2010 | 10:22

Francis Bacon- (1561-1626) nasceu no dia 22 de janeiro na York House, Londres, na casa de seu pai, Nicholas Bacon.

Nicholas ocupou um cargo de importância no reinado de Elizabeth I. Bacon também participou ativamente da política. A mãe de Bacon foi Anne Cooke, também fazia parte da elite inglesa. Era uma mulher com cultura, que deu base cultural e teológica, para Bacon, estimulando nele o zelo, a dedicação e a severidade. Na Inglaterra havia acontecido a implantação do anglicanismo, religião oficial imposta por Henrique VIII. Essa reforma religiosa acarretou transformações políticas e sociais e assim surgiu uma pequena nobreza, a qual Bacon estava ligado. A Inglaterra estava próspera naqueles dias, pois tinham uma poderosa marinha militar e mercante que derrotara os espanhóis. Os piratas ingleses, apoiados pela rainha, saqueavam e navegavam pelo globo. Os Estados Unidos eram da Inglaterra.

Bacon foi para o Trinity College com doze anos e ficou três anos. Foi aí que estudou filosofia, adquirindo antipatia e hostilidade pela filosofia precedente. Não identificava nela fins práticos e achou muitos erros. Critica Aristóteles. Apesar de ter formação escolástica, essa também não lhe agradou. Ele tinha idéias de transformar a filosofia em uma coisa fértil, iluminada e a favor do bem do homem. O homem já havia sofrido demais em nome dos dogmas religiosos. A importância da salvação espiritual e de Deus na formação da população haviam dominado os atos humanos por toda a Idade Média. Esse rigor havia sido criticado durante o Renascimento e Bacon o achava improdutivo. Era preciso uma filosofia a favor do avanço das ciências. Bacon era um entusiasta das novas invenções, como a bússola, a arma de pólvora e a imprensa.

Em 1577 seu pai o mandou para a França, para trabalhar junto ao embaixador inglês na França, e assim Bacon iniciou a carreira diplomática. Na França, ficou sem os recursos paternos, o que o obrigou a arranjar sozinho os meios de sobrevivência. Quando tinha dezoito anos seu pai morreu. E Ele era um jovem acostumado aos luxos. Em 1583 foi eleito para o parlamento. Era um bom orador, que fazia com que os ouvintes ficassem presos às suas considerações. Em 1595 seu amigo conde d’Essex deu de presente para ele uma propriedade nas margens dos rios rio Tâmisa. Lá dedicou-se ao trabalho intelectual e redigiu os Ensaios. É um clássico, tem um estilo renascentista sagaz e poderoso, como é comum em toda a obra de Bacon. Aproxima-se do maquiavelismo. Seu amigo, Essex, armou uma conspiração para aprisionar a rainha Elizabeth, que o amara. Bacon o advertia, dizendo que estava em favor da rainha. Essex insistiu e foi preso. Bacon interviu junto à coroa. Essex temporariamente libertado invadiu Londres, incitando a população contra o trono. Foi preso e condenado por traição. Bacon, que havia se voltado contra ele irritado, teve um papel importante na acusação. Criou inimigos por causa disso. Já ocupava posição importante no governo inglês. Bacon era egoísta e tinha vontade de vencer. Subiu sucessivamente nos cargos da câmara e em 1613 chegou à presidência da câmara dos Pires. Mas nunca abandonou a filosofia. Ele dizia que sem filosofia não queria viver. No seu entusiasmo falava que a mente é o homem, e o conhecimento é a mente. Bacon, contrariamente aos estóicos, dizia que o corpo deve estar acostumado aos excessos e restrições. Apesar de ser acusado de ateísmo acredita em Deus, pois ele diz que a estrutura universal tem uma mente. Ele opina sobre costumes como o casamento e o celibato, e nos assuntos triviais impõe sua marca original. Ele dá mais valor à amizade do que ao amor, mas a amizade seria uma ajuda para se subir na escala do poder. Acreditava em uma nação estado ampla, moderna e centralizada numa monarquia hereditária.

Bacon tinha um projeto de um grande trabalho científico, A Grande Instauração, do qual Novo Órganon seria o prefácio. Esse Órganon trata-se de uma crítica ao Órganon de Aristóteles, de sua biologia e de seu método. Achava que as ciências estavam estacionárias. Primeiro em seu projeto escreveria a Introdução. Segundo classificaria as ciência. Existem as ciências da memória ( história ) as ciências da razão (filosofia) e ai ciências da imaginação (poesia). Em terceiro lugar descreveria seu novo método para a interpretação da natureza, que deveria estar a serviço do homem . Assim haveria uma desmitisficação do mundo. Em quarto se dedicaria à ciência natural e às investigações dos fenômenos da natureza. Quinto iria mostrar a escada do intelecto, na qual demonstraria como os escritores do passado deram as bases sobre as quais a sociedade estava apoiada. Em sexto lugar, escreveria as previsões sobre as conclusões que o seu novo método científico iria chegar. Pois não era ele que iria empregar seu método e sim os cientistas. A ciência é o caminho para a Utopia, que descreve em Nova Atlântida. Seu projeto consiste em aperfeiçoar a ciência, depois aperfeiçoar a ordem social, e por último conferir a soberania aos homens da ciência,, Na Nova Atlântida, o objetivo é lutar contra o sofrimento, a ignorância e a miséria e permitir ao império humano realizar tudo quanto lhe fosse possível. Bacon é contra o desperdício, dá grande importância à fisiologia e medicina, sendo que o médico deve ter o direito de praticar a eutanásia. Ele acha que não há nada além da ciência, as supertições são bobagens e os fenômenos psíquicos devem ser submetidos à um exame científico. O governo e a ciência devem estar ligados à filosofia.

É no Novo Órganon que Bacon dá vida à lógica. Para se estabelecer o progresso da ciências primeiro temos de destruir os ídolos. Um ídolo é um retrato considerado como se fosse uma realidade, um pensamento confundido com a coisa. Uma deturpação, um erro, que está arraigado na mente e nas atitudes humanas. Bacon nomeia quatro ídolos: primeiro os ídolos da tribo, são normais em toda a humanidade. O homem, sendo o padrão das coisas, faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade, sendo que pertencem apenas ao homem, e não ao universo. Bacon compara a mente aos espelhos côncavos e convexos que desfiguram a realidade. São muitos os ídolos da mente, que simplificam o mundo e causam superstições. A percepção do homem está moldada para reduzir o complexo ao simples, realçando o que lhe é favorável. É a inércia do espírito, e estaria presente na astronomia, na cabala e na astronomia. Segundo Bacon, pensamentos retratam o homem mais que o objeto. Deve-se ter muitos cuidados ao lidar com esses ídolos, pondo sob suspeita suas convicções.

O segundo tipo de ídolo são os da caverna (uma alusão à alegoria da caverna de Platão), são os erros peculiares de cada indivíduo, cada pessoa tem sua caverna ou toca particular que descolore e refrata a luz da natureza. É formada pela disposição do corpo e da mente. A tendência do indivíduo é ver tudo sob a luz de sua própria caverna.

O terceiro tipo são os ídolos do mercado, nascidos do comércio e associações entre os homens. Implicam-se na ambigüidade de palavras que impostas segundo a compreensão da multidão. Da má disposição de palavras surge a obstrução da mente. Os homens usam as palavras para designar o que dizem ser realidade, mas não designam mais que abstrações em certos casos.

Por último vem os ídolos do teatro, que tem suas origens nas doutrinas filosóficas influentes. Para Bacon os sistemas filosóficos não passam de peças teatrais, representadas num mundo irreal. São mais elegantes e compactas que a realidade. Bacon critica os clássicos gregos, chamando Aristóteles de o pior dos sofistas.

Livres dos erros que são os problemas da humanidade, deve-se partir para a Grande Reconstrução. livres e despidos de preconceitos, como as crianças. Para passar de dominado a dominador da natureza o homem deve conhecer as leis da natureza por métodos comprovados. Bacon declara várias vezes que saber é poder. No seu método de investigação distingue a experiência simples da experiência escriturada. A simples aceita-se como se manifesta, é um acidente. São noções recolhidas quando se opera ao acaso. A segunda vem quando o investigador, que já está preparado, observa a experiência metodicamente e faz experimentos. Assim, o investigador tem enumerar todas as ocorrências e ausências do fenômeno. Depois deve comparar as ocorrências entre si. Então se observa na experiência a variação, a prolongação, a transferência, inversão, compulsão, união e mudança de condições. Então chega-se às instâncias prerrogativas, que forças as investigações em um sentido. As mais importantes dentre as vinte e sete são as solitárias, as imigrantes, as ostensivas, as analógicas e as cruciais. Bacon formula a teoria da indução, que serve para descrever minuciosamente os cuidados, técnicas e procedimentos para a investigação dos fenômenos naturais. O final de tudo isso seriam as formas das coisas. Muitos traças paralelos entre as teorias das formas de Bacon e a teoria das idéias de Platão. Bacon. aliás achava que Platão era um teólogo idealista, que confundia a teologia com a filosofia. É uma metafísica da ciência. As formas pertencem ao mundo empírico, são a realidade por excelência, leis e causas dos fenômenos naturais. Quando se conhecerem as formas das coisas haverá matéria prima para a Utopia. Na Nova Atlândida, publicada dois anos antes da morte de Bacon, ele descreve uma ilha que, com a abundância de força juntada ao rigor científico e ao trabalho permite uma organização justa das estruturas sociais e econômicas. Seria governada pela Casa de Salomão, um santuário de sabedoria. Não há políticos.

Bacon influenciou muitos filósofos com Hobbes e Locke, também ingleses. Chamado de arauto da ciência, primeiro dos modernos e último dos antigos, Bacon captou a transformação que a mente humana passava na sua época, e que evoluiu ainda mais depois. Propõe o domínio da natureza em favor do homem e assim vem acontecendo cada vez mais, a ponto de chegarmos à uma degradação ambiental alarmante. O homem, para Bacon, só deve prestar contas ao Estado e à Deus. Se deus existe na natureza e dominamos ela, quem parará o homem? É o começo de um processo que tirou o mágico da mente humana em favor da razão e da transformação da matéria e culminou no capitalismo industrial.
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