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Atanásio de Alexandria. (295-373)

Postado por Daniel Pena em quarta-feira, 26 de maio de 2010 | 10:04

Viveu 78 anos.

considerado santo  pela Igreja Ortodoxa e Católica (esta última reverencia-o também como um dos seus trinta e três Doutores da Igreja) e ainda um dos mais prolíficos Padres da Igreja Orientais.

Foi um dos defensores do ascetismo cristão, tendo inaugurado o género literário da hagiografia, com a Vida de Santo Antão do Deserto, escrita primeiramente em grego e logo traduzida para latim, tendo-se difundido com grande rapidez pelo Ocidente do Império Romano. Este género baseava-se nas Vitæ de autores romanos pagãos (v. g., as Vidas dos Doze Césares, de Suetónio); porém, o que Atanásio procura fazer é tornar as Vitæ um modelo a ser seguido por todo o rebanho cristão, e é nesse sentido que é visto como criador do género; o que relata não tem que ser necessariamente verdadeiro, antes deve infundir no crente cristão a vontade de cultivar esse mesmo modelo de vida.

Do ponto de vista doutrinal, foi perseguido e exilado devido às acesas discussões que manteve contra partidários do Arianismo; para além disso, defendeu a consubstanciação das três pessoas divinas na Santíssima Trindade, tal como definido pelo Concílio de Niceia, em 325, no Credo Niceno.

Cresceu em Alexandria, no Egito e não recebeu formação filosófica.

Converteu-se ao cristianismo ainda jovem, e aos 23 anos já era diácono do bispo de Alexandria. Dedicou pouco tempo aos estudos, mas muito aos estudos das Escrituras, as quais eram sua principal fonte de saber e conhecia profundamente.

O arianismo estava sendo difundido na época.

Ário, que era padre de uma importante igreja Alexandrina, havia concluído dos ensinamentos de Orígenes (que não afirma nada, essa foi uma leitura ariana) que Jesus Cristo não participa da mesma substância de Deus. (Contra o dogma da Trindade). Só por metáfora deveríamos entender que Jesus é filho de Deus, ele é o filho de Deus na moralidade. Ário separava então o Filho do Pai. Segundo ele, se houve um tempo em que Jesus não existia, então não podem coexistir Pai e Filho, Jesus e Deus. Jesus é uma criatura sublime, mas sua essência não é idêntica a do Pai.

Como o arianismo se expandiu, muitas controvérsias surgiram. O imperador Constantino, preocupado com essa divisão da ortodoxia cristã, convocou então um concílio para a cidade de Nicéia, com o objetivo de resgatar a unidade política.

Atanásio era diácono quando acompanhou o bispo Alexandre ao Concílio de Nicéia, que aconteceu em 325 e durou cerca de três meses. O imperador Constantino foi o mediador, apesar de não ter nenhuma formação teológico-religiosa. Ele objetivava unir as igrejas do Oriente e do Ocidente.

No Concílio de Nicéia foram tratados:

- O cisma meleciano: seguidores de Melécio, que cismava em não readmitir na comunidade cristã os cristãos que haviam abjurado da fé durante as perseguições que duraram nove anos, de 303 a 312.

- Questão Pascal: os bispos utilizavam a Páscoa para transmitir novas doutrinas.

- Teses arianas: nas quais se discutia se o Pai era diferente do filho na substância.

Nesse concílio, somente os bispos poderiam discursar, e, apesar de ainda diácono, Atanásio conseguiu “driblar a burocracia”, e mostrou-se um ótimo orador, eloqüente e persuasivo. Ele tinha talento para as discussões teológicas e conhecia profundamente as Escrituras.

Foi ele a principal figura do Concílio e quem contribuiu para que a Igreja adotasse a doutrina da Trindade, a consubstancialidade do Pai com o Filho, onde ele afirmava que Pai e Filho participam sim, da mesma substância.

No final do Concílio, foi então decidido a favor de Atanásio e Ário foi exilado.

Com a morte do bispo de Alexandria, Atanásio assumiu o bispado. Seu episcopado durou 46 anos, período durante o qual ele foi muito perseguido e exilado cinco vezes. Ele entrou em conflito diversas vezes contra os arianos, melecianos e contra alguns imperadores.

Em 330, dois anos depois da consagração como bispo, o imperador Constantino queria que Atanásio entrasse em comunhão com Ário, que havia retornado do exílio. A irmã de Constantino era a favor do arianismo e pediu a um padre de confiança para que falasse em favor de Ário para o imperador. Este concedeu então a retirada da sentença de exílio.

Mas Atanásio manteve-se firme e não quis aceitar Ário na comunidade ortodoxa. Por promulgação do imperador, Ario seria admitido em 336 na catedral de Constantinopla, mas morreu no mesmo dia, de “circunstâncias estranhas”.

Atanásio tornou-se muito popular, e passou a ser objeto de intrigas entre seus opositores arianos e melecianos. Estes espalharam boatos sobre Atanásio, difamando seu nome, o que ocasionou um Sínodo em Tiro, no qual ele conseguiu provar sua inocência, porém seus opositores disseram ao imperador que Atanásio havia cortado o fornecimento de trigo para Roma, o que fez com que Constantino o enviasse ao exílio pela primeira vez. (335-337). Ficou exilado na Gália e lá conheceu a vida monástica.

Quando Constantino morreu em 337, seus filhos tornaram-se imperadores, Constâncio ficou com o Oriente, e apesar de sustentar a tese ariana, permitiu o retorno de Atanásio, mas os arianos conseguiram condenar Atanásio novamente em um Sínodo em 339, dois anos depois, onde foi substituído por Gregório de Capadócia. Ele foi para Roma, onde foi recebido pelo papa Júlio, que o apoiava.

Gregório de Capadócia morreu em 345 e Constante, o imperador do Ocidente, convenceu Constâncio a readmitir Atanásio.

Após a morte de Constante, Constâncio tornou-se imperador do Oriente e Ocidente, e adotou definitivamente a causa do arianismo. Atanásio foi exilado pela terceira vez.

Com a morte de Constâncio, Juliano, seu primo, assumiu o poder, e afim de demonstrar uma política tolerante, readmitiu Atanásio. Mas o que ele queria mesmo era restabelecer novamente a antiga religião, o paganismo.

Atanásio retornou a Alexandria, mas lutou contra a restauração do paganismo, o que causou a ira do imperador, e ele foi exilado pela quarta vez. Dessa vez foi para o deserto do Egito. (362).

Um ano depois o imperador morreu e assumiu o poder um católico ortodoxo, que deu fim ao exílio de Atanásio, mas este também morreu um ano depois, e quem assumiu foi Valentino, que era favorável ao arianismo, e Atanásio foi exilado pela quinta vez. Ficou dois anos novamente no deserto, e retornou em 366, quando reassumiu seu lugar como bispo até o fim da vida. Morreu em 373.

Obras

A maior parte das obras está ligada à defesa da Consubstancialidade do Pai e do Filho e à Divindade do Verbo.

As obras mais significativas são:

- Apologia contra os arianos : três livros, onde ele narra as perseguições que sofreu e fala sobre a doutrina ariana.

- Epístola Sobre o Decreto do Concílio de Nicéia: defesa da consubstancialidade do Pai e do Filho

- A Vida e a Conduta de Santo Antão: biografia de Santo Antão e defesa da vida monástica como regra para boa vida religiosa. (Agostinho também fala de Santo Antão nas Confissões)

- Obras Exegéticas (interpretações bíblicas) : só restam alguns fragmentos, dos quais o mais importante é uma carta a Marcelino, onde ele comenta a utilização dos salmos na vida das pessoas e seu sentido profético.

- Cartas a Epíteto e a Máximo: devemos adorar Jesus Cristo como o verdadeiro Deus.

- Contra os Pagãos / A Encarnação do Verbo: Contra o paganismo e a defesa mais importante da consubstancialidade do Pai e do Filho. A natureza e a geração do Verbo Divino.

Atanásio defendeu sua fé durante toda a sua vida, lutou contra todos os opressores e opositores da sua fé, defendeu a independência da Igreja contra as autoridades políticas, sempre em defesa da fé cristã.

Ário negava a consubstancialidade do Pai e do Filho, afirmando que Jesus era inferior a Deus. Para falarmos sobre o Atanásio, é inevitável comentar o arianismo.

Ário era aberto à filosofia, mais culto. Ele defendia a tese de que Jesus e Deus não participavam da mesma substância, que o Filho era fruto da vontade do Pai, apesar de ter vindo para resgatar os homens de seus pecados. Ele escreveu pouco e desse pouco só restam alguns fragmentos, fica difícil fazer uma verdadeira leitura do que foi essa doutrina originariamente, mas sabemos que ela partiu de um axioma, de que Pai e Filho não eram coexistentes. Para Ário, Jesus Cristo é filho de Deus no sentido moral. O verdadeiro Deus o adotou como filho, mas isso não implica em dizer que Jesus tem participação essencial e substancial com a divindade.

Em um sermão, Ário simplificou sua tese:

“Por isso é que há três substâncias: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus, que é justamente causa de todos os seres, é de maneira absoluta o único sem princípio. O Filho, gerado pelo pai fora do tempo antes de todas as coisas, somente Ele foi criado pelo Pai único. Ele não é eterno, nem coeterno e não partilha o fato de não ser gerado como e com o Pai. Ele não tem existência com o pai, como dizem alguns de um e de outro, afirmando dois princípios não gerados. Mas como unidade e princípio de tudo, Deus é antes de todas as coisas. Por isso Ele também é antes de Cristo… Na medida, pois, em que seu ser, sua vida e sua glória, e tudo o que lhe foi conferido lhe vêm de Deus, Deus é o seu princípio. Ele lhe é superior como seu Deus.”

Esse Deus uno de Ário remete a um neoplatonismo plotiniano, para quem o Bem é o Uno a que todas as coisas remetem, portanto não poderiam existir dois ou três bens. Plotino era contemporâneo seu, e egípcio.

Essa resposta sobre as relações entre o Pai e o Filho é racionalista. Mas devemos questionar até que ponto esse racionalismo não remetia de certa forma à heresia, já que estava em questão a divindade cristã.

Atanásio partia da fé para afirmar sua tese da consubstancialidade do Pai com o Filho. Se Jesus foi gerado pelo Pai, e tudo aquilo que é gerado carrega consigo a mesma substância daquilo que o gerou, então Jesus carrega a divindade de Deus.

Os homens foram gerados do nada, somente Jesus Cristo foi gerado de Deus. Ele é a manifestação corporal do Verbo Divino, que é o ser.

Deus – Verbo – Ser

O Verbo se manifestou num corpo humano para salvação da humanidade.

Deus criou a matéria, por isso o chamamos de criador. Ele não recusa a existência de nada, porque Ele é bom, e recusar a existência de algo corresponde ao ódio. Ele nos deu a existência e apiedou-se de nós, criando os homens à Sua imagem, para que participássemos do Verbo.

Os homens, ao afastarem-se de Deus, voltaram-se para o nada.

Ser (Deus)
Jesus
Homem
Nada (Mal)

A natureza divina não poderia deixar que algo à sua semelhança tendesse para o nada, e por sua filantropia quis salvar a humanidade. Ao afastar-se de Deus, o homem tornou-se corruptível tendendo ao nada. A Manifestação do Verbo aconteceu para que os homens pudessem ser salvos de sua tendência natural ao nada e voltarem-se novamente para o Ser Pleno, que é Deus. Ou seja, o homem é corruptível porque transgrediu os mandamentos e saiu do estado para o qual Deus o criou. Ao contrário de Jesus Cristo, o homem foi criado do nada e tende naturalmente ao nada. Jesus foi criado de Deus e tende naturalmente a Ele.

Portanto, a Encarnação do Verbo acontece para salvar o homem da sua natureza corruptível. O homem deveria compartilhar da semelhança que tem com Deus, e assim desviar sua tendência natural, que é o mal, o não ser.

O Verbo de Deus é incorpóreo, incorruptível e imaterial, mas criou-se do amor divino pelos homens, afim de salvá-los. O homem, dentro da sua incapacidade de conhecer o imaterial, já que é matéria, precisava de algo também material para conhecer a Deus em sua plenitude. Deus é a razão pela qual os homens existem, a compaixão divina já existe quando Ele cria os homens, pois temos uma razão pela qual existir, procurar aquele que nos criou. Deus, ao criar o homem, queria fazer-se conhecer, e por essa razão os fez à sua imagem, mas somente com Jesus Cristo o homem seria capaz de aperceber-se disso. Do conhecimento de Deus resulta a felicidade. Sobre os antigos, eles sabiam que havia Deus, mas desviavam esse conhecimento porque eram impelidos para o nada, a adorarem deuses que na verdade eram criaturas , e não o criador. Somente o verdadeiro Ser deveria ser adorado. Os antigos só desconheciam a sua imagem, e a manifestação do Verbo através da encarnação auxiliou os homens a conhecerem a imagem do que deveriam ser.  Moral Cristã traz as leis divinas.

Ele diz:

“Assim, o Verbo, querendo devidamente socorrer os homens, deveria residir na terra como homem, tomar corpo semelhante ao deles, e agir através das coisas terrenas, isto é, por obras corporais. Desta forma, os que não haviam querido reconhecê-lo por causa de sua providência e seu domínio universais, reconheceriam pelas obras corporais o Verbo de Deus encarnado, e por Ele, o Pai.”

O verbo baixou até tornar-se visível e corpóreo.

Deus – Ser- Verbo
Jesus Cristo
Homem
Nada (não ser)

As próprias obras de Jesus Cristo, apesar de terem sido realizadas corporalmente, mostram que ele difere dos homens. Suas obras indicam sua divindade. Jesus Cristo é sabedoria, o conhecimento de Deus.

Na verdade, tudo está repleto do conhecimento de Deus, mas o homem é incapaz de enxergar, por causa da sua tendência ao nada. Então Jesus Cristo nos coloca em contato
com a sabedoria divina. Para Atanásio, Jesus Cristo não é a revelação de um homem, mas a revelação do Verbo de Deus.

O Verbo, que é ser, contém todas as coisas, mas não é contido por elas. Ele opera sobre tudo, mas nada opera sobre Ele. O Verbo não é apenas encarnação, mas plenitude da salvação universal.

O Verbo de Deus domina a parte corpórea para viver como homem, mas, sendo Verbo, dá vida a todos os seres e não está junto a um corpo, pois junto só está do Pai. É natural que o enxerguemos enquanto homem, já que se nos mostrou através dessa forma, mas é através da percepção da divindade contida nas obras dele que se mostrou divino. Quem realizava os milagres era o Verbo Divino. Somente o Verbo seria capaz de purificar os humanos, curar doenças e fraquezas, transformar água em vinho. Somente o criador da água poderia modificar sua substância. E ele o fez para que não duvidassem de que ele é o Filho de Deus. O Verbo, portanto, se revelou ao homem por meio das suas obras divinas.

O corpo de Jesus Cristo nunca esteve sujeito à corrupção, pois ele não tendia ao nada. Somente Ele veio de Deus, então sua tendência natural era para Deus, enquanto o homem, que veio do nada, tendia ao nada. Seguir a moral cristã elevaria o homem novamente a Deus.

A Igreja Católica adotou a santíssima trindade de Atanásio para evidenciar a fé em Jesus Cristo. A postura ariana colocava em questão a divindade cristã. Quanto ao Espírito Santo, Atanásio diz que aquilo que conferia divindade a Cristo só poderia ser divino também, por isso o Pai, o Filho e o Espírito Santo participam da mesma substância.

O que é colocado aqui é mesmo uma questão de fé, enquanto Ário diz que Jesus é derivado de Deus, mas não é absoluto como Ele, afirmava que o Verbo é inferior ao Pai, Atanásio parte da sua fé absoluta na divindade Cristã.

Por Paula Ignácio
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