Catolicismo - Daniel Alves Pena

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Catolicismo

Postado por Daniel Pena em sábado, 29 de novembro de 2008 | 11:21

Os Credos e o Catolicismo

A palavra Católico surge nos principais credos (definições de fé semelhantes a preces) cristãos, nomeadamente no Credo dos Apóstolos e no Credo Niceno. Os cristãos da maior parte das igrejas, incluindo a maioria dos protestantes, afirmam a sua fé "numa única santa Igreja católica e apostólica". Esta crença refere-se à sua crença na unidade última de todas as igrejas sob um Deus e um Salvador. No entanto, neste contexto, a palavra católico é usada pelos crentes num sentido definitivo (i.e., universal), e não como o nome de um corpo religioso. Neste tipo de uso, a palavra é geralmente escrita com c minúsculo, enquanto que o C maiúsculo se refere ao sentido descrito neste artigo.

História e Influência

A igreja cristã primitiva foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antióquia, Alexandria, Constantinopla e Roma. O Bispo de Roma foi reconhecido pelos Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto Roma reclamava uma autoridade que lhe provinha de São Pedro (que morreu em Roma e é considerado o primeiro papa [1]) e São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado. Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em 1054 que dividiu a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia, Rússia e muitas das terras eslavas, Anatólia, Síria, Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o Cisma do Oriente.

A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante, durante a qual se formaram muitas das facções Protestantes.

Mundo católico

No cristianismo ocidental, as principais fés a se considerarem "Católicas", para lá da Igreja Católica Romana, são a Igreja Católica Antiga, a Velha Igreja Católica, a Igreja Católica Liberal, a Associação Patriótica Católica Chinesa e alguns elementos anglicanos (os "Anglicanos da Alta Igreja", ou os "Anglo-Católicos"). Estes grupos têm crenças e praticam rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano, mas diferem substancialmente destes no que diz respeito ao estatuto, poder e influência do Bispo de Roma.

As várias igrejas da Ortodoxia de Leste e Ortodoxia Oriental pensam em si próprias como igrejas Católicas no sentido de serem a igreja universal. As igrejas Ortodoxas vêem geralmente os "Católicos" Latinos como cismáticos heréticos que saíram da "verdadeira igreja católica e apostólica" (veja Grande Cisma. Os Patriarcas da Ortodoxia Oridental são hierarcas autocéfalos, o que significa, grosso-modo, que cada um deles é independente da supervisão directa de outro bispo (embora ainda estejam sujeitos ao todo do seu sínodo de bispos). Não estão em comunhão com o Papa e não reconhecem a sua reivindicação à chefia da Igreja universal enquanto instituição terrena. Existem também Católicos de Rito Oriental cuja liturgia se assemelha à dos Ortodoxos, e que também permitem a ordenação de homens casados, mas que reconhecem o Papa Romano como chefe da sua igreja.

Alguns grupos chamam a si próprios católicos, mas esse qualificativo é questionável: por exemplo, a Igreja Católica Liberal, que se originou como uma dissensão da Velha Igreja Católica mas que incorporou tanta teosofia na sua doutrina que já pouco tem em comum com o Catolicismo.

Catolicismo Romano

A principal denominação Católica é a "Santa Igreja Católica Apostólica", melhor conhecida como "Santa Igreja Católica". Tem esse nome porque todos os seus aderentes estão em comunhão com o Papa e Bispo de Roma, e a maior parte das paróquias seguem o Rito Romano na prece, embora haja outros ritos litúrgicos.

Organização e Cargos da Igreja Católica Romana

Estruturalmente, o Catolicismo Romano é uma das religiões mais centralizadas do mundo. O seu chefe, o Papa, governa-a desde a Cidade do Vaticano, um estado independente no centro de Roma, também conhecido na diplomacia internacional como a Santa Sé. O Papa é seleccionado por um grupo de elite de Cardeais, conhecidos como Príncipes da Igreja. Só o Papa pode seleccionar e nomear todos os cléricos da Igreja acima do nível e padre. Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal, chamada Cúria. Os Papas exercem o que é chamado Infalibilidade Papal, isto é, o direito de definir declarações definitivas de ensinamento Católico Romano em matérias de fé e moral. Na realidade, desde a sua declaração no Concílio do Vaticano I, em 1870, a infalibilidade papal só foi usada uma vez, pelo Papa Pio XII, nos anos 50.

A autoridade do Papa vem da crença de que ele é o sucessor directo de S. Pedro e, como tal, o Vigário de Cristo na Terra. A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem descendente:

* Papa, o bispo de Roma e também Patriarca do Ocidente. Os que o assistem e aconselham na liderança da igreja são os Cardeais;
* Patriarcas são os chefes das Igrejas Católicas que não são a Igreja Latina. Alguns dos grandes arcebispos Católicos Romanos também são chamados Patriarcas; entre estes contam-se o Arcebispo de Lisboa e o Arcebispo de Veneza;
* Bispo (Arcebispo e Bispo Sufragário): são os sucessores directos dos doze apóstolos. Receberam o todo das ordens sacramentais;
* Padre (Monsenhor é um título honorário para um padre, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais): inicialmente não havia Padres per se. Esta posição evoluiu a partir dos Bispos suburbanos que eram encarregados de distribuir os sacramentos mas não tinham jurisdição completa sobre os fiéis.
* Diácono

Existem ainda cargos menores: Leitor e Acólito (desde o Concílio Vaticano Segundo, o cargo de sub-diácono deixou de existir). As ordens religiosas têm a sua própria hierarquia e títulos. Estes cargos tomados em conjunto constituem o clero e no rito ocidental só podem ser ocupados, normalmente, por homens solteiros. No entanto, no rito oriental, os homens casados são admitidos como padres diocesanos, mas não como bispos ou padres monásticos; e em raras ocasiões, permitiu-se que padres casados que se converteram a partir de outros grupos cristãos fossem ordenados no rito ocidental. No rito ocidental, os homens casados podem ser ordenados diáconos permanentes, mas não podem voltar a casar se a esposa morrer ou se o casamento for anulado.

O Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais de entre os próprios membros do Colégio (o processo de eleição, que tem lugar na Capela Sistina, é chamado Conclave). Cada Papa continua no cargo até que morra ou até que abdique (o que só aconteceu duas vezes, e nunca desde a Idade Média).

Sacramentos

A prática da Igreja Católica consiste em sete sacramentos (veja também Sacramentos Católicos):

* Baptismo,
* Confissão,
* Eucaristia,
* Confirmação ou Crisma,
* Sagrado Matrimónio,
* Ordenação, e
* Unção dos Enfermos.

Dentro da fé Católica, os sacramentos são gestos e palavras de Cristo que concedem graça santificadora sobre quem os recebe. O Baptismo é dado às crianças e a convertidos adultos que não tenham sido antes baptisados validamente (o baptismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica visto que se considera que o efeito chega directamente de Deus independentemente da fé pessoal, embora não da intenção, do sacerdote). A Confissão ou reconciliação envolve a admissão de pecados perante um padre e o recebimento de penitências (tarefas a desempenhar a fim de alcançar a absolvição ou o perdão de Deus). A Eucaristia (Comunhão) é o sacrifício de Cristo marcado pela partilha do Corpo de Cristo e do Sangue de Cristo que se considera que substituem em tudo menos na aparência o pão e o vinho utilizados na cerimónia. A crença católica romana de que pão e vinho são transformados no Corpo e no Sangue de Cristo chama-se transubstanciação. No sacramento da Confirmação, o presente do Espírito Santo que é dado no baptismo é "fortalecido e aprofundado" (veja o Catecismo da Igreja Católica, para. 1303) através da imposição de mãos e da unção com óleo. Na maior parte das igrejas de Rito Latino, este sacramento é presidido por um bispo e tem lugar no início da idade adulta. Nas Igrejas Católicas Orientais (ver abaixo) o sacramento da crisma é geralmente executado por um padre imediatamente depois do baptismo. As Ordens Sagradas recebem-se ao entrar para o sacerdócio e envolvem um voto de castidade. O sacramento das Ordens Sagradas é dado em três graus: o do diácono (desde Vaticano II um diácono permanente pode ser casado antes de se tornar diácono), o de padre e o de bispo. A unção dos doentes era conhecida como "extrema unção" ou "último sacramento". Envolve a unção de um doente com um óleo sagrado abençoado especificamente para esse fim e já não está limitada aos doentes graves e aos moribundos.

Mandamentos da Igreja

1- Assistir missa inteira nos domingos e festas de guarda.

No Brasil os dias santos de guarda são:

[Santa Maria], Mãe de Deus - 01 de [janeiro]
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ([Corpus Christi]) - data variável entre [maio] e [junho]:
[Imaculada Conceição] de Maria - 08 de [dezembro]
[Natal] de Nosso Senhor Jesus Cristo - 25 de dezembro

2- Confessar-se ao menos uma vez por ano. 3- Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição. 4- Jejuar e abster-se de carne quando manda a Igreja.

Jejum: [Quarta-feira de cinzas] e [Sexta-feira Santa].
Abstinência de carne: [Quarta-feira de cinzas] e sextas-feiras da quaresma.

5- Pagar Dízimos segundo o costume.

Ritos

A Igreja Católica é uma federação de 24 Ritos autónomos (sui juris) em comunhão completa uns com os outros e em união com o Papa na sua qualidade de Sumo Pontífice da Igreja Universal (apelidade "Pontífice de Roma" na lei canónica). O Papa, na sua qualidade de Patriarca de Roma (ou Patriarca do Ocidente) é também o chefe da maior das Igrejas sui juris, a Igreja Latina (popularmente conhecida como "Igreja Católica Romana"). As restantes 23 Igrejas sui juris, conhecidas colectivamente como "Igrejas Católicas do Oriente", são governadas por um hierarca que ou é um Patriarca, ou um Arcebispo Principal, ou um Metropolita. A Cúria Romana administra quer as igrejas orientais, quer a igreja ocidental. Devido a este sistema, é possível que um católico esteja em comunhão completa com o Pontífice de Roma sem ser um católico romano.

As Igrejas sui juris utilizam uma das seis tradições litúrgicas tradicionais (que emanam de Sés tradicionais de importância histórica), chamadas Ritos. Os ritos principais são o Romano, o Bizantino, o de Antióquia, o Alexandrino, o Caldeu e o Arménio (existem ainda dois Ritos Ocidentais menores, o Rito Ambrosiano e o Rito Moçárabe). O Rito Romano, usado pela Igreja Latina, é dominante em grande parte do mundo, e é usado pela vasta maioria dos católicos (cerca de 98%). Antigamente havia muitos ritos ocidentais menores, que foram substituídos pelo Rito Romano pelas reformas litúrgicas do Concílio de Trento.

Historicamente, o Santo Sacrifício da Missa no Rito Romano (a "Missa Tridentina") era conduzido inteiramente em Latim eclesiástico, mas no Concílio Vaticano Segundo, no início dos anos 60, foi promulgada uma nova versão da Missa (Novus Ordo Missae), que é celebrada na língua vernacular (local). O serviço correspondente das Igrejas Católicas orientais, a Liturgia Divina, é conduzido em várias línguas litúrgicas, segundo o Rito e a Igreja: as Igrejas de Rito Bizantino usam o grego, o eslavónico, o árabe, o romeno e o georgiano, as igrejas de Ritos Antioquiano e Caldeu usam o siríaco, a Igreja de Rito Arménio usa o arménio e as Igrejas de Rito Alexandrino usam o copta e o ge'ez.

Ritos e Igrejas sui juris dentro da Igreja Católica

Rito Romano

* Igreja Latina

Rito Bizantino

* Igreja Albanesa
* Igreja Bielorrussa
* Igreja Búlgara
* Igreja Croata
* Igreja Eslovaca
* Igreja Georgiana
* Igreja Grega
* Igreja Húngara
* Igreja Melquita
* Igreja Romena
* Igreja Russa
* Igreja Rutena
* Igreja Sérvia
* Igreja Ucraniano-Grega

Rito de Antióquia

* Igreja Maronita
* Igreja Siro-Malancar
* Igreja Siríaca

Rito Caldeu

* Igreja Caldeia
* Igreja Siro-Malabar

Rito Arménio

* Igreja Arménia

Rito Alexandrino

* Igreja Copta
* Igreja Ge'ez

Organização por região

A Igreja Católica está presente em virtualmente todas as nações do planeta. Está organizada em hierarquias nacionais com bispos diocesanos sujeitos a arcebispos. Colégios, ou Conferências Nacionais, de bispos coordenam a política local dentro dos países ou de grupos de países.

A unidade geográfica e organizacional fundamental da Igreja Católica é a diocese (nas Igrejas Católicas do Oriente, a unidade equivalente chama-se eparquia). Esta corresponde geralmente a uma área geográfica definida, centrada numa cidade principal, e é chefiada por um bispo. A igreja central de uma diocese recebe o nome de catedral, da cátedra, ou cadeira, do bispo, que é um dos símbolos principais do seu cargo.. Dentro da diocese, o bispo exerce aquilo que é conhecido como um ordinário, ou seja, a autoridade administrativa principal. (As sedes de algumas ordens religiosas são semi-independentes das dioceses a que pertencem; o superior religioso da ordem exerce jurisdição ordinária sobre elas.) Embora o Papa nomeie bispos e avalie o seu desempenho, e exista uma série de outras instituições que governam ou supervisionam certas actividades, um bispo tem bastante independência na administração de uma diocese.. Algumas dioceses, geralmente centradas em cidades grandes e importantes, são chamadas arquidioceses e são chefiadas por um arcebispo. Em grandes dioceses e arquidioceses, o bispo é frequentemente assistido por bispos auxiliares, bispos integrais e membros do Colégio dos Bispos que não chefiam a sua própria diocese. Arcebispos, bispos sufragários (designação frequentemente abreviada simplesmente para "bispos"), e bispos auxiliares, são igualmente bispos; os títulos diferentes indicam apenas que tipo de unidade eclesiástica chefiam. Muitos países têm vicariatos que apoiam as suas forças armadas (ver Ordinariato Militar).

Quase todas as dioceses estavam organizadas em grupos conhecidos como províncias, cada uma das quais era chefiada por um arcebispo. Embora as províncias continuem a existir, o seu papel foi substituído quase por completo por conferências de bispos, geralmente constituídas por todas as dioceses de um determinado país ou grupo de países. Estes grupos lidam com um vasto conjunto de assuntos comuns, incluindo a supervisão de textos e práticas litúrgicas para os grupos culturais e linguísticos da área, e as relações com os governos locais. A autoridade destas conferências para restringir as actividades de bispos individuais é, no entanto, limitada (os teólogos tradicionais consideram esta autoridade basicamente irrestrita). As conferências de bispos começaram a surgir no princípio do século XX e foram oficialmente reconhecidas no Concílio Vaticano Segundo, no documento Christus Dominus.

O Colégio dos Cardeais é o conjunto dos bispos católicos romanos que são conselheiros especiais do Papa. Qualquer padre pode ser nomeado Cardeal, desde que se "distinga em fé, moral e piedade". Se um cardeal que ainda não tiver sido ordenado bispo for eleito Papa, deverá receber a ordenação episcopal mais tarde. (ver a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis [2]). Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de eleger um novo papa depois da morte do seu predecessor. Os cardeais eleitores são quase sempre membros do clero, mas no entanto o Papa concedeu no passado a membros destacados do laicado católico (por exemplo, a teólogos) lugares de membro do Colégio, após ultrapassarem a idade eleitoral. A cada cardeal é atribuída uma igreja ou capela (e daí a classificação em bispo cardeal, padre cardeal e diácono cardeal) em Roma para fazer dele membro do clero da cidade. Muitos dos cardeais servem na cúria, que assiste o Papa na administração da Igreja. Todos os cardeais que não são residentes em Roma são bispos diocesanos.

As dioceses são divididas em distritos locais chamadas paróquias. Todos os católicos devem frequentar e suportar a sua igreja paroquiana local. Ao mesmo tempo que a Igreja Católica desenvolveu um sistema elaborado de governo global, o catolicismo de dia a dia é vivido na comunidade local, unida em prece na paróquia local. As paróquias são em grande medida auto-suficientes; uma igreja, frequentemente situada numa comunidade pobre ou em crescimento, que é sustentada por uma diocese, é chamada "missão".

A Igreja Católica Romana sustenta muitas ordens (grupos) de monges e freiras que são principalmente não-padres que vivem vidas especialmente devotadas a servir Deus. São pessoas que se juntaram sob um determinado sistema a fim de atingir a perfeição e a virtude. Estes sistemas por vezes implicam a separação do mundo para meditar, outras a participação excepcional no mundo, frequentemente através da prestação de serviços médicos ou educacionais. Quase todos os monges e freiras tomam votos de pobreza (nenhuma ou limitada posse de propriedade ou dinheiro), castidade (nenhuma utilização dos órgãos sexuais) e obediência (aos seus superiores).

Doutrinas distintivas

Os católicos acreditam na Trindade de Deus enquanto Pai, Filho e Espírito Santo, na divindade de Jesus, e na salvação através da fé em Jesus Cristo e por amar a Deus acima de todas as coisas. Os pontos de vista católicos diferem dos ortodoxos em vários pontos, incluindo a natureza do Ministério de S. pedro (o papado), a natureza da Trindade e o modo como ela deve ser expressa no Credo Niceno, e o entendimento da salvação e do arrependimento. Os católicos divergem dos protestantes em vários pontos, incluindo a necessidade da penitência, o significado da comunhão, a composição do Cânone das Escrituras, o purgatório e o modo como se atinge a salvação: os protestantes acreditam que a salvaçãos e atinge apenas através da fé (sola fide), ao passo que os católicos pensam que a fé deve ser expressa em boas obras. Esta divergência levou a um conflito sobre a doutrina da justificação (na Reforma ensinava-se que "nós justificamo-nos apenas pela fé"). O diálogo ecuménico moderno levou a alguns consensos sobre a doutrina da justificação entre os católicos romanos e os luteranos, anglicanos e outros.

Liturgia e prece

O acto de prece mais importante na Igreja Católica Romana é a liturgia Eucarística, normalmente chamada Missa. A missa é celebrada todos os domingos de manhã na maioria das paróquias Católicas Romanas; no entanto, os católicos podem cumprir as suas obrigações dominicais se forem à missa no sábado à noite. Os católicos devem também rezar missa cerca de dez dias adicionais por ano, chamados Dias Santos de Obrigação. Missas adicionais podem ser celebradas em qualquer dia do ano litúrgico, excepto na Sexta-feira Santa. Muitas igrejas têm missas diárias. A [missa] contemporânea é composta por duas partes principais: a [Liturgia da Palavra] e a [Liturgia Eucarística]. Durante a Liturgia da Palavra, são lidas em voz alta uma ou mais passagens da Bíblia, acto desempenhado por um Leitor (um leigo da igreja) ou pelo padre ou diácono. O padre ou diácono lê sempre as leituras do [Evangelho] e pode também ler de outras partes da Bíblia (burante a primeira, segunda, terceira, etc. leituras). Depois de concluídas as leituras, é rezada a homilia (que se assemelha ao sermão protestante) por um padre ou diácono. Nas missas rezadas aos domingos e dias de festa, é professado por todos os católicos presentes o [Credo Niceno-Constantinopolitano], que afirma as crenças ortodoxas do [catolicismo]. Segue então a [Liturgia Eucarística], que nada mais é do que a Missa em seu sentido estrito. Nela, o pão e o vinho oferecidos, segundo o [dogma] católico da [transubstanciação], se tornam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.

O movimento de reforma litúrgica tem sido responsável nos últimos quarenta anos por uma convergência significativa das práticas predicamentais do Rito Latino com as das igrejas protestantes, afastando-as das dos outros ritos católicos, não-latinos. Uma característica dos novos pontos de vista litúrgicos tem sido um "regresso às fontes", que se diz que tem origem na redescoberta de antigos textos e práticas litúrgicas, bem como muitas práticas novas. As reformas litúrgicas pós-conciliares (pós-Vaticano II) incluem o uso da língua vernacular (local), uma maior ênfase na Liturgia da Palavra, e a clarificação do simbolismo. A característica mais visível das reformas é a postura do padre. No passado, o padre virava-se para o altar, de costas para a congregação. As reformas fizeram com que o padre se voltasse para o povo, separado dele pelo altar. Isto simboliza o desejo de que a missa se torne mais centrada nas pessoas. Há, todavia, críticos que não concordam com a natureza da mussa pós-Vaticano II (conhecida por vezes como Novus Ordo Missae). Em 2003 foi revelado que a Missa Tridentina pré-Vaticano II estava de novo a ser celebrada na Basílica de S. Pedro (embora não no altar principal) e que o Papa João Paulo II começou a celebrar Missas Tridentinas na sua capela privada no Palácio Apostólico, no Vaticano.

Fenômenos Sócio-Comportamentais

Queda do número de fiéis

Tem-se observado principalmente na sociedade brasileira, nas Américas e em parte da Europa o desinteresse freqüente pela população com relação à religião católica. Este fenômeno é observado com muita facilidade no dia-a-dia e é causa direta da não adaptação da Instituição à modernidade, ao avanço da ciência e da liberdade que os indivíduos conquistam a cada dia. A causa disso é uma grande massa de não-praticantes que dizem ser adeptos da religião por freqüentar cerimônias de casamentos e batizados. No Censo 2000 feito pelo IBGE, 40% dos que responderam ser católicos no Brasil diziam ser "não-praticantes".

Esse indivíduo geralmente discorda de políticas severas da igreja quanto ao uso do preservativo sexual, o divórcio e o adultério. É frequentemente usado nos dias de hoje o termo religiosidade para definir a atitude de tais adeptos que discordam das políticas da igreja mas que continuam a seguir seus ensinamentos básicos cristãos.

Renovação Carismática

A Renovação Carismática Católica (RCC) é um movimento católico surgido nos Estados Unidos em meados da década de 1960. Ele é voltado para a experiência pessoal com Deus, particularmente através do Espírito Santo e dos seus dons. Esse movimento busca dar uma nova abordagem às formas de evangelização e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística católicos. O movimento carismático católico foi influenciado em seu nascimento pelos movimentos pentecostais de origem protestante e até hoje esses dois grupos se assemelham em vários aspectos. No Brasil, o movimento tomou força através da Canção Nova, Comunidade de Vida e Aliança criada pelo então Padre Jonas Abib (hoje Monsenhor) na cidade de Cachoeira Paulista para dar uma nova abordagem a temas polêmicos e morais e renovar conceitos já antigos da religião católica. Esse movimento ganhou força em meados dos anos 90 e já responde sozinho por grande parte dos católicos frequentantes no país. Possui um canal de televisão chamado Canção Nova e é presidido pelo Padre Jonas Abib.

Críticas ao catolicismo

A Igreja Católica, como muitas outras denominações cristãs, assistiu a um rápido declíneo na sua influência global na sociedade ocidental no fim do século XX. A sua estrutura de liderança exclusivamente masculina e as crenças doutrinárias rígidas em matérias relacionadas com a sexualidade humana são pouco atraentes num mundo ocidental secularizado onde a diversidade de práticas sexuais e a igualdade dos sexos são norma. A generalidade do próprio clero abraçou a idéia do secularismo e tentou diminuir a sua influência na sociedade. Em lugares onde em tempos desempenhou um papel de primeira importância, como o Quebec, a Irlanda ou a Espanha, tem hoje apenas uma fracção da anterior influência. Ao mesmo tempo, no entanto, o Catolicismo Romano vem experimentando uma dramática adesão em África e em partes da Ásia. Ao passo que em tempos os missionários ocidentais serviam como padres em igrejas africanas, em finais do século XX havia um número crescente de países ocidentais que já recrutavam padres africanos para contrabalançar a redução nas suas próprias vocações.

Pressões sobre práticas tradicionais

* controle de natalidade e castidade pré-marital
* homossexualismo
* celibato dos ordenados
* métodos contraceptivos e DST-preventivos

Ordenação de mulheres

Como resultado do feminismo e de outros movimentos sociais e políticos que removeram as barreiras anteriormente existentes à entrada de mulheres em profissões que eram tradicionalmente bastiões masculinos, no último quarto do século XX muitas mulheres num pequeno conjunto de países tentaram obter a ordenação como sacerdotes católicos romanos.

A posição católica romana oficial e histórica é a de que as mulheres não podem ser padres ou bispos devido à doutrina de sucessão apostólica. Os padres e os bispos são sucessores dos Apóstolos e, uma vez que Jesus Cristo escolheu apenas homens para o seu grupo de 12 apóstolos, só homens se podem tornar padres ou bispos. Além disso, tem sido claramente estes os ensinamentos da Igreja desde o tempo dos Apóstolos. A 22 de Maio de 1994, o Papa João Paulo II emitiu uma carta apostólica, Ordinatio Sacerdotalis (Ordenação sacerdotal) que reafirmou a posição tradicional e concluiu:

Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal.

Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.

Dentro do próprio catolicismo romano, o debate sobre este assunto centra-se agora na dúvida se este documento pretende ou não invocar extraordinariamente a infalibilidade papal (veja o conceito de magistério extraordinário) e elevar a regra de que as mulheres não podem ser padres católicos romanos à categoria de dogma irreformável da Igreja Católica Romana. O desacordo sobre este ponto atingiu o coração da Igreja. Enquanto que alguns elementos próximos do Cardeal Joseph Ratzinger produzem afirmações veementes que implicam que aquele documento invocou a infalibilidade (na verdade, uma infalibilidade de magistério ordinário, o que significa, na essência, que a regra já é um dogma imutável e que o Papa se limitou a reafirmá-lo), muitos outros elementos, em particular o próprio secretariado de imprensa do Vaticano, afirmaram explicitamente que o documento não foi, e não deve ser considerado, infalível. (Os desacordos entre Ratzinger e a política oficial do Vaticano são acontecimentos regulares. O seu documento Dominus Iesus, por exemplo, discordou em tom e conteúdo da encíclica do próprio Papa João Paulo II sobre ecumenismo. Embora tenha sido afirmado que o Papa tinha concordado e aprovado o documento de Ratzinger, um funcionário sénior dissidente do Vaticano descobriu num encontro com o Papa que João Paulo II não tinha lido integralmente o documento de Ratzinger.) [3]

Os críticos acusaram algumas pessoas ligadas à congregação de Ratzinger de tentar fazer com que o documento soasse infalível para matar o debate, fazendo assim passar um documento falível por infalível. Este tipo de acusação já se tinha feito ouvir no passado, nomeadamente sobre a encíclica do Papa Paulo Humanæ Vitæ, acerca da qual um cardeal conservador da Cúria declarou "o Santo Padre falou. O assunto está fechado para sempre." Apesar disso, a recusa do porta-voz do Papa João Paulo, ele próprio um conservador, em descrever o documento domo "infalível" levou a uma opinião generalizada, se bem que não universal, de que o documento não o é. Existe também a declaração formal do Vaticano de que desde 1870 só um ensinamento infalível foi emitido por um papa, nomeadamente a declaração de 1950 do Papa Pio XII acerca da assunção corpórea da Abençoada Virgem Maria no Céu. A implicação é de que nem a declaração Humanæ Vitæ nem a Ordinatio Sacerdotalis são infalíveis.

Os conservadores respondem argumentando que "o que sempre foi ensinado" é tão infalível como uma definição solene que emana do Magistério de Infalibilidade Papal. O que sempre foi ensinado pela Igreja, dizem, faz parte do seu Magistério Universal, que é tão infalível como definições solenes como as que são usadas para definir a Assunção de Maria. Nesta conformidade, um mero leigo será infalível se se limitar a repetir aquilo que a igreja sempre ensinou.

Inquisição

A Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício é conhecida como um órgão da Igreja responsável pelo julgamento e eventual punição daqueles que negassem as doutrinas ensinadas pelo Magistério, conhecidos como hereges. Os condenados podiam receber penas diversas e suplícios, e em casos mais graves, a pena de morte na fogueira. Esta última era um acontecimento público, conhecido como auto-de-fé, a morte por desrespeito a Deus e a Instituição. Alguns ilustres, como [Giordano Bruno] foram condenados "a fogueira" (execução do indivíduo utilizando o fogo para queimá-lo ainda vivo). A condenação mais famosa talvez seja a de Joana D'Arc, francesa entregue aos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos, que a acusaram de bruxaria e de influenciar o povo da aldeia onde residia. Galileu Galilei também passou pelo Santo Ofício, não por suas pesquisas, mas por ter sido acusado de adorar o deus Mitra, o disco solar. Sua negação, entretanto, o fez receber uma pena bem leve: foi condenado à prisão domiciliar. A Inquisição se formou durante a Alta Idade Média, mas teve maior atuação durante a Contra-Reforma, que buscou barrar a Reforma Protestante. O órgão da Igreja herdeiro da Santa Inquisição é a Congregação para a Doutrina da Fé, que teve como mais ilustre prefeito o papa Bento XVI, desde a década de 80. Não existe mais a pena de morte, mas a Congregação pode condenar os clérigos ao silêncio, como aconteceu com o ex-frei Leonardo Boff.

2ª Guerra Mundial

A Igreja Católica é acusada por inúmeros escritores de negligência, mantendo-se neutra quanto ao crescimento do regime Nazista de Adolf Hitler e posteriormente a Guerra que se sucedeu no século XX. Esta é uma argumentação infundada e sensacionalista e que se mostra falaciosa. O [Papa Pio XII] condenou o Nazismo e o genocídio em várias mensagens radiofônicas. Vários bispos, padres e religiosos foram presos e levados aos campos de concentração. A Igreja Católica nunca apoiou o Nazismo, ao contrário da Igreja Luterana na Alemanha. Além disso, o Vaticano por ser um país autônomo e neutro durante a Guerra, acolheu inúmeros judeus, que ali ficaram protegidos, uma vez que os nazistas e facistas não se podiam invadir seu território. Quando a Igreja de São Lourenço, fora do Vaticano, foi bombardeada, sendo que ela estava abrigando inúmeros refugiados, o próprio Papa Pio XII saiu antes mesmo de tocar o alarme de que a região estava fora de perigo, para acudir ao povo. Houve inclusive, ao final de Guerra, uma ordem dada por Adolf Hitler para sequestrar o Papa Pio XII e levá-lo à Alemanha como refém. isso não chegou a se concretizar, mas Pio XII deixou ordens de que se ele fosse sequestrado, independentemente de ser morto, os cardeais deveriam se reunir em um local seguro e eleger quanto antes um novo [Pontífice]. Na Guerra somente o Papa e os Reis Britânicos não foram para algum refúgio.

Igreja Católica x Ciência

As relações entre a Igreja Católica e a ciência sempre foram conturbadas. Durante a Idade Média muitos cientistas foram perseguidos pela Igreja e alguns queimados em fogueiras pela Inquisição. Podemos lembrar o caso emblemático de Galileu Galilei que foi obrigado pela Inquisição a negar que a Terra se movia em torno do Sol.

Os cientistas dividem-se entre alguns ateus e contrários à Igreja e outros católicos praticantes. Um dos exemplos mais conhecidos é o astrônomo Carl Sagan, que era ateu. Podemos citar, por exemplo entre os grandes filósofos do século XX, Jean-Paul Sartre que era ateu e tinha uma teoria que se opunha a da Igreja, Soren Kierkegaard, filósofo existencialista cristão, e finalmente Gabriel Marcel que foi católico praticante.

As disputas ideológicas que a Igreja travou com os cientistas acabaram afastando muitos deles da religião. No entanto, no século XX a Igreja passou a aceitar e incorporar em suas crenças as descobertas científicas, separando questões de fé de questões científicas.

Podemos comprovar esta convergência ao observar que a Igreja apoia oficialmente a teoria do Big-Bang da física, e concorda com a genética e a hereditariedade (descobertos por Gregor Mendel, um monge católico), fundamento da teoria da evolução.

As discordâncias entre a posição oficial da Igreja e a ciência se dão apenas em questões teológicas que envolvam ateísmo e a negação da infalibilidade das escrituras e da revelação.

Na verdade, tanto a ciência como a filosofia cristã sempre tiveram como fundamento comum a filosofia Aristotélica. Mas foi São Tomás de Aquino o teólogo que afirmou que fé e razão podem ser conciliadas, sendo a razão um meio de entender a fé.

Anglo-Catolicismo

O Anglo-Catolicismo, sendo embora uma única igreja, está na prática dividido em dois ramos, os "Anglicanos da Alta Igreja", também chamados Anglo-Católicos e os "Anglicanos da Baixa Igreja", também conhecidos como a facção Evangélica. Embora todos os elementos da Comunhão Anglicana recitem os mesmos credos, os Anglicanos da Baixa Igreja tratam a palavra Católico no credo como um mero sinónimo antigo para universal, ao passo que os Anglicanos da Alta Igreja a tratam como o nome da igreja de Cristo à qual pertencem eles, a Igreja Católica Romana, e outras igrejas da Sucessão Apostólica.

O Anglo-Catolicismo tem crenças e pratica rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano. Os elementos semelhantes incluem a crença em sete sacramentos, a crença na Transubstanciação e não na Consubstanciação, a devoção à Virgem Maria e aos santos, a descrição do seu clero ordenado como "padres", o vestir vestimentas próprias na liturgia da igreja, e por vezes até mesmo a descrição das suas celebrações Eucarísticas como Missa. A sua principal divergência do Catolicismo Romano reside no estatuto, poder e influência do Bispo de Roma.

O desenvolvimento da ala Anglo-Católica do Anglicanismo teve lugar principalmente no Século XIX e está fortemente associado ao Movimento de Oxford. Dois dos seus líderes, John Henry Newman e Henry Edward Manning, ambos ordenados cléricos anglicanos, acabaram por aderir à Igreja Católica Romana e por se tornarem Cardeais.

Embora o termo Catolicismo seja geralmente usado para designar o Catolicismo Romano, muitos Anglo-Católicos usam-no para se referirem também a si próprios, como parte da Igreja Católica geral (e não apenas Romana). Na verdade, algumas igrejas anglicanas, como a Catedral de St. Patrick em Dublin ou a "Catedral Nacional" da Igreja da Irlanda (anglicana), referem-se a si próprias como parte da "Comunhão Católica" e como "Igrejas Católicas" em anúncios dentro e em torno delas.

Credito: http://pt.wikipedia.org
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