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John Wesley

Postado por instrutordanielpena em domingo, 28 de agosto de 2011 | 09:50

John Wesley (Epworth, Inglaterra, 17 de junho de 1703 — Londres, 2 de março de 1791) foi um clérigo anglicano e teólogo cristão britânico, líder precursor do movimento metodista e, ao lado de William Booth, um dos dois maiores avivacionistas da Grã-Bretanha.

Introdução

John Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração moral. Dentre aqueles que não se conformavam com esse estado paralisante da religião cristã, sobressaiu-se John Wesley. Primeiro, durante o tempo de estudante na Universidade de Oxford, depois como líder no meio do povo.

Infância

John Wesley, décimo terceiro filho do ministro anglicano Samuel e de Susana Wesley, nasceu a 17 de junho de 1703, em Epworth na Inglaterra.

Devido às atividades pastorais que impediam o Reverendo Samuel de dar a devida assistência ao lar, Susana assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava com rigidez os filhos, mantendo horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar.

Incêndio em sua casa

Ainda na infância, John Wesley foi o último a ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio que destruiu toda sua casa, onde estivera preso no segundo andar. A partir desse dia, Susana, sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois entendeu que Deus havia poupado sua vida para algo muito especial.

Aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizar o John, usando o livro dos Salmos como apostila.

John estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.

Estudos


John Wesley iniciou seus estudos em Oxford onde começa a se reunir com um grupo de estudantes para meditação bíblica e oração, sendo conhecidos pelos colegas universitários de "Clube Santo", ele não inventou o nome: alunos, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os tacharam como 'metodistas'. Wesley preferia chamá-los simplesmente de 'Metodistas de Oxford'..

Neste grupo Wesley e seu irmão Carlos iniciaram a visitar e evangelizar os presídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país e a miséria que a Inglaterra vivia na época.

Assim, gradua-se em Teologia, e pode ajudar a seu pai na direção da Igreja Anglicana.

Isto até os 32 anos, quando atendeu a um apelo: precisava-se de missionários na Virgínia, Nova Inglaterra.


Missão na Virgínia

Um dos episódios que marcou o início do metodismo foi a viagem missionária de Jonh Wesley aos EUA - Virgínia para "evangelizar os índios" sendo praticamente fracassado. Em sua viagem de retorno Jonh Wesley expressa sua frustração "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?". Durante uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou profundamente impressionado com um grupo de morávios (grupo de cristãos pietistas que buscavam a conversão pessoal mediante o Espírito Santo) a bordo do navio que, durante uma grande tempestade, as crianças e os adultos moravios cantavam e louvavam ao nome do Senhor (Deus)e Wesley vendo a fé que tinham diante do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley por ele achar que, Deus não poderia o justifica-lo mediante seus pecados e por isso constantemente temia a morte desde sua juventude) predispôs à seguir a fé evangélica dos morávios. Retornou à Inglaterra em 1738.

Conversão


Após 2 anos, John Wesley volta desiludido com o trabalho realizado na Virgínia. Encontra-se, então, com Pedro Böhler, em Londres. Böhler era pastor moraviano (da Morávia, Alemanha) e com ele John Wesley se convence de que a fé é uma experiência total da vida humana. Procurou, então, libertar-se da religião formalista e fria para viver, na prática, os ensinos de Jesus.

No dia 24 de maio de 1738, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito por Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, sobre a carta aos Romanos, John sente seu coração se aquecer (entende-se que Wesley experimentava o "batismo no Espírito Santo"). Experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados.

A Experiência do Coração Aquecido


No dia 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em Londres, Wesley passou por uma experiência espiritual extraordinária, que é assim narrada em seu diário:

"Cerca das nove menos um quarto, enquanto ouvia a descrição que Lutero fazia sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, em verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdade meus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração".

Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou em média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e imoralidade e cantaram a nova fé nas palavras dos hinos de Carlos Wesley, irmão de John. Os dois irmãos deram à religião um novo espírito de alegria e piedade.


Igreja


Como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões - muito embora ele não gostasse de pregar fora da Igreja - E tornou-se conhecidíssima esta sua frase: "o mundo é a minha paróquia". Influenciados pelos moravianos, John e seu irmão Carlos organizaram pequenas sociedades e classes dentro da Igreja da Inglaterra, liderados por leigos, com os objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia, orar e pregar. Logo o trabalho de sociedades e classes seria difundido em vários países, especialmente nos EUA e na Inglaterra e estaria presente em centenas de sociedades, com milhares de integrantes. Com tanto serviço, Wesley andava por toda a parte a cavalo, conquistando o apelido de 'O Cavaleiro de Deus'. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 400 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. John Wesley deixou um legado de 300 pregadores itinerantes e mil pregadores locais. A Igreja Metodista, como Igreja propriamente, organizou-se primeiro nos EUA e depois na Inglaterra (somente após a morte de Wesley no dia 2 de março de 1791).

Membros nos Estados Unidos

1771 - 361 membros

1780 - 8.500 membros

1784 - 15.000 membros

1790 - 57.621 membros

1800 - 64.894 membros

1809 - 163.038 membros

Doutrina

- Wesley ensinava que a conversão a Jesus é comprovada pela prática (testemunho), e não pelas emoções do momento.
- Valorização dos pregadores leigos que participavam lado a lado com os clérigos da Missão de evangelização, assistência e capacitação de outras pessoas.
- Afirma que o centro da vida cristã está na relação pessoal com Jesus Cristo. É Jesus quem nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos oferece a vida abundante de comunhão com Deus.
- Valoriza e recupera em sua prática a ênfase na ação e na doutrina do Espírito Santo como poder vital para a Igreja.
- Reconhece a necessidade de se viver o Evangelho comunitariamente. John Wesley afirmou que "tornar o Evangelho em religião solitária é, na verdade, destruí-lo".
- Preocupa-se com o ser humano total. Não é só com o bem-estar espiritual, mas também com o bem-estar físico, emocional, material. Por isso devemos cuidar do nosso próximo integralmente, principalmente dos necessitados e marginalizados sociais.
- Podemos afirmar que o bem-estar espiritual é o resultado da paz de Cristo que alcança todas as áreas da vida do cristão. É o resultado do bem-estar físico, emocional, econômico, familiar, comunitário. Tudo está nas mãos de Deus, nEle confiamos e Ele é fiel em cuidar de nós. Sua salvação alcança-nos integralmente.
- Enfatiza a paixão pela evangelização. Desejamos e devemos trabalhar com paixão, perseverança e alegria para que o amor e a misericórdia de Deus alcancem homens e mulheres em todos os lugares e épocas.
- Aceita as doutrinas fundamentais da fé cristã, conforme enunciadas no Credo Apostólico (Cremos na Bíblia, em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, no ser humano, no perdão dos pecados, na vitória por meio da vida disciplinada, na centralização do amor, na segurança e na perfeição cristã, na Igreja, no Reino de Deus, na vida eterna, na segunda vinda de Jesus, na graça de Deus para todos, na possibilidade da queda da graça divina, na oração intercessória, nas missões mundiais. Cremos profundamente no AMOR. Amor de Deus em nossa vida, amor dos irmãos.) , enfatizando o equilíbrio entre os atos de piedade (atos devocionais) e os atos de misericórdia (a prática de amor ao próximo).

Fonte: LOCKMANN, Bispo Paulo; CONSTANTINO, Zélia. Seguir a Cristo, manual de discipulado

Legado


Além de milhares de convertidos e encaminhados para a santificação cristã, houve também obras sociais dignas de destaque, como estas: Dinheiro aos pobres (Wesley distribuía). Compêndio de medicina (Wesley escreveu e foi largamente difundido). Apoio na reforma educacional. Apoio na reforma das prisões. Apoio na abolição da escravatura! Atualmente, o total de membros da comunidade metodista no mundo está estimado em cerca de 75 milhões de pessoas. O maior grupo concentra-se nos Estados Unidos: a Igreja Metodista Unida neste país é a segunda maior denominação protestante.

Hoje, além dos seguidores do Metodismo, a vida de muitos são influenciada pela missão de Wesley. Movimentos posteriores como o Movimento de Santidade e o Pentecostalismo devem muito a ele. A insistência wesleyana da busca da santificação pessoal e social contribuem significativamente para a ideologia da busca de uma vida e mundo melhor. A Igreja Católica Romana recebeu indiretamente alguns conceitos de Wesley quando o cardeal John Henry Newman uniu-se a ela, vindo da Igreja Anglicana e concretizando em reformas litúrgicas, sociais, carismática e teológica desde o concílio Vaticano II.

Faleceu a 2 de março de 1791, em Londres, Inglaterra. Encontra-se sepultado em Wesleys Chapel, Grande Londres, Londres, Inglaterra.[2]

Referências

- http://www1.uol.com.br/bibliaworld/igreja/historia/metod.htm
- John Wesley no Find a Grave
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Erasmo de Roterdão

Postado por instrutordanielpena em sexta-feira, 5 de agosto de 2011 | 18:58

Erasmo de Roterdão (português europeu) ou Roterdã (português brasileiro) (nascido Gerrit Gerritszoon ou Herasmus Gerritszoon; em latim: Desiderius Erasmus Roterodamus; Roterdão, 27 de Outubro de 1466 — Basileia, 12 de Julho de 1536) foi um teólogo e um humanista neerlandês.

Erasmo cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, vivendo como tal, sendo um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica.

Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália. Erasmo optou por uma vida de académico independente, independente de país, independente de laços académicos, de lealdade religiosa e de tudo que pudesse interferir com a sua liberdade intelectual e a sua expressão literária.

Os principais centros da sua actividade foram Paris, Lovaina, Inglaterra e Basileia. No entanto, nunca pertenceu firmemente a nenhum destes sítios. O seu tempo em Inglaterra foi frutuoso, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses, mesmo nos dias tumultuosos do rei Henrique VIII: John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor da divindade de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês. Ele esteve no Queens' College, em Cambridge e é possível que tenha sido alumnus.

Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo académico, mas ele declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua actividade literária independente.

Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manatius, em Veneza. Apesar disto, teve uma associação com académicos italianos menos activa do que se esperava[quem?].

A sua residência em Lovaina expôs Erasmo a muitas críticas mesquinhas por parte daqueles[quem?] que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Ele interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basileia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e estava rodeado de amigos. Foi lá que esteve associado por muitos anos com o grande editor Froben, e onde uma multidão de admiradores de (quase) todos os cantos da Europa o vieram visitar.
Escritos

A produtividade literária de Erasmo começou relativamente tarde na sua vida. Apenas quando ele dominou o Latim é que começou a escrever sobre grandes temas contemporâneos em Literatura e em Religião.

A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo.

Como académico, tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais, mas não ficou satisfeito. Ele viu-se como o pregador da retidão. A sua convicção em toda a vida foi que o que era necessário para regenerar a Europa era uma aprendizagem sã, aplicada liberalmente e sem receios pela administração de assuntos públicos da Igreja e do Estado. Esta convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras; no entanto, Erasmo foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Ele se correspondeu com mais de quinhentos homens da maior importância no mundo da política e do pensamento, e o seu conselho em vários assuntos era procurado avidamente, se bem que nem sempre seguido.

Aquando da sua estadia em Paris, Erasmo iniciou a examinação sistemática dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basiléia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma. Erasmo também escreveu sobre o guerreiro frísio Pier Gerlofs Donia, embora com muito mais críticas do que elogios aos feitos dele, chamando-o de "bruto estúpido que preferia a força à sabedoria".

Ele publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516 - Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos.

Na segunda edição, o termo mais familiar "Testamentum" foi usado em vez de "Instrumentum". Esta edição foi usada pelos tradutores da versão da Bíblia do Rei Jaime I de Inglaterra. O texto ficou conhecido mais tarde como o textus receptus. Erasmo publicou mais três edições - 1522, 1527 e 1535. Foi a primeira tentativa por parte de um académico competente e liberal de averiguar aquilo que os escritores do Novo Testamento tinham efectivamente dito. Erasmo dedicou o seu trabalho ao Papa Leão X, como patrono da aprendizagem, e considerou o seu trabalho como o seu principal serviço à causa do Cristianismo. Imediatamente depois, começou a publicação das suas paráfrases do Novo Testamento, uma apresentação popular do conteúdo de vários livros. Este, como todos os seus livros, foi publicado em Latim, mas as suas obras eram imediatamente traduzidas noutras línguas, com o seu encorajamento.


Protestantismo

O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao carácter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a Igreja Católica Romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos.

Em toda a sua crítica às tolices clericais e aos abusos, ele tinha sempre afirmado que não estava a atacar as instituições da Igreja em si e não era um inimigo do clero. O mundo inteiro tinha rido com as suas sátiras, mas poucos interferiram com as suas actividades. Ele acreditava que o seu trabalho até então o recomendava às melhores mentes e aos poderes dominantes no mundo religioso.

Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correspondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento.

Erasmo declinou qualquer compromisso, argumentando que ao o fazer estaria a colocar em risco a sua posição como líder de um movimento por uma sabedoria pura, o que ele via como o objectivo de sua vida. Apenas como um académico independente poderia ele aspirar a influenciar a reforma da religião. A obra de Lutero foi a de providenciar uma nova base doutrinal para as tentativas até então dispersas de iniciar uma reforma. Ao reavivar os princípios quase esquecidos da teologia de Agostinho, Lutero tinha fornecido o necessário impulso para o interesse pessoal na religião, o que é a essência da Reforma Protestante. Erasmo, no entanto, temia qualquer mudança na doutrina e acreditava que não havia espaço dentro das fórmulas existentes para o tipo de reforma que ele apreciava tanto.

Por duas vezes durante o debate, ele entrou no campo da controvérsia doutrinal, uma área que era estranha à sua natureza e práticas prévias. Um dos tópicos com que lidou foi a liberdade da vontade, um ponto crucial. No seu "De libero arbitrio diatribe sive collatio" (1524), ele analisa com inteligência e bom humor os exageros Luteranos sobre as óbvias limitações da liberdade humana. Ele apresenta ambos os lados da discussão de forma imparcial. A sua posição foi de que o Homem estava obrigado a pecar, mas que tinha o direito à misericórdia de Deus apenas se ele a procurasse pelos meios que lhe eram oferecidos pela própria Igreja. A "diatribe" não encorajava qualquer acção definida; este era o seu mérito aos olhos dos Erasmianos e o seu defeito aos olhos dos Luteranos.

Quando Erasmo hesitou em apoiá-lo, isto pareceu aos olhos de Lutero, um homem directo, um evitar de responsabilidade que era devido ou a cobardice ou a falta de visão. No entanto, o lado Católico Romano, que pretendia igualmente manter o apoio de um homem que se tinha declarado tantas vezes como leal aos princípios da Igreja, viu na relutância de Erasmo em tomar partido um sinal de suspeita da deslealdade perante o Catolicismo. A atitude de Erasmo para com a Reforma Protestante pode no entanto ser vista como consistente.

Os males que ele combateu foram os de forma ou foram males de um tipo curável apenas por uma longa e lenta regeneração na moral e vida espiritual na Europa. O programa da "Reforma de Erasmo" era de usar a aprendizagem para remover os piores excessos. No entanto, falhou em oferecer qualquer método tangível para aplicar os seus princípios ao sistema da Igreja existente. Quando Erasmo foi acusado de ter "posto o ovo que Lutero chocou" ele admitiu parcialmente a verdade da acusação mas disse que tinha esperado uma outra espécie de pássaro completamente diferente.

À medida que a opinião pública começa a reagir às opiniões de Lutero, as desordens sociais que Erasmo temia começaram a aparecer. A Guerra dos Camponeses, os distúrbios do Anabaptistas na Alemanha e nos Países Baixos, iconoclastia e radicalismo por toda a parte, parecem confirmar as suas previsões mais obscuras. Se este era o resultado da reforma, ele preferia estar de fora. No entanto, ele começava a ser acusado cada vez mais pela "tragédia". Na Suíça, ele estava ainda mais exposto pela sua associação com homens que eram suspeitos de doutrinas extremamente racionalistas.

A questão-teste era a doutrina dos Sacramentos, e o cerne da questão a observância da Eucaristia. Em parte para livrar-se de suspeitas, Erasmo publicou em 1530 uma nova edição do tratado ortodoxo de Algerus contra o herético Berengar de Tours no século XI. Ele acrescentou uma dedicatória, afirmando acreditar na realidade do corpo de Jesus Cristo após a bênção na Eucaristia, mas admitia que a forma em que este mistério deveria ser expressa fosse matéria de debate. Era-lhe aceitável que a Igreja pregasse a doutrina à maioria dos cristãos e a especulação ficasse mais segura nas mãos dos filósofos. Aqui e acolá Erasmo aponta o princípio de que um homem pode ter duas opiniões sobre assuntos religiosos, uma para si mesmo e seus amigos mais íntimos e outra para o público. Aqueles que se opunham aos Sacramentos, liderados por Oecolampadius de Basileia, estavam, como Erasmo diz, mencionando-o como alguém com ideias semelhantes. Ele nega isto, mas na sua negação traiu aquilo que em conversas particulares é tido como uma visão racional da doutrina da Eucaristia. Tal como no caso da vontade livre, não tinha aqui a aprovação da Igreja.


Últimos anos

A sua obra mais conhecida, "Praise of Folly" ("Elogio da Loucura"), foi dedicada ao seu amigo Sir Thomas More. Em 1536 ele escreveu "De puritate ecclesiae christianae", na qual ele tentou reconciliar os diferentes partidos. Muito dos seus escritos apelam a uma grande audiência e lidam com assuntos do interesse humano geral; ele parece ter considerado estes como uma diversão, uma actividade de lazer. Os seus escritos mais sérios começaram cedo com a "Enchiridion Militis Christiani" , o "Manual (ou adaga) do cavalheiro cristão" (1503). Nesta breve obra, Erasmo esquematiza as perspectivas da vida cristã normal, uma tarefa que se lhe tornaria constante na sua vida. O principal mal dos seus dias, diz ele, é o formalismo, um respeito por tradições sem consideração pelo verdadeiro ensinamento de Cristo. O remédio é que cada homem se pergunte a cada ponto "Qual a coisa essencial?", fazendo-o sem receio. Formas podem esconder ou sufocar o espírito. Na sua examinação dos perigos do formalismo, Erasmo discute a vida monástica, a veneração dos santos, a guerra, o espírito de classe e as fraquezas da "sociedade", mas o "Enchiridion" é mais um sermão do que uma sátira. O seu texto acompanhante, o "Institutio Principis Christiani" (Basiléia, 1516), foi escrito como conselho ao jovem Rei Carlos de Espanha, mais tarde Carlos V, Sacro-Imperador Romano. Erasmo aplica os princípios gerais de honra e de sinceridade às especiais funções do Príncipe, quem ele apresenta como um servidor do povo.

Como resultado das suas actividades reformadoras, Erasmo viu-se em conflito com ambas as grandes posições. Os seus últimos anos de vida foram ofuscados por controvérsias amargas com pessoas para quem ele seria normalmente simpático. Notavelmente entre estes encontrava-se Ulrich von Hutten, um génio brilhante mas errático, que se entregara à causa de Lutero e tinha declarado que Erasmo, se tivesse uma faísca que fosse de honestidade, faria o mesmo. Na sua resposta "Spongia adversus aspergines Hutteni" (1523), Erasmo demonstra o seu pleno domínio da semântica. Ele acusa Hutten de ter interpretado mal o seu discurso sobre a reforma e reitera a sua determinação em não tomar partido nunca.

Quando a cidade de Basileia se tornou oficialmente "reformada" em 1529, Erasmo deixou de residir ali, tendo-se mudado para a cidade imperial de "Freiburg im Breisgau". Parece indicar que ele viu como mais fácil manter a sua neutralidade sob o domínio Católico Romano do que em condições protestantes. A sua actividade literária permaneceu inabalada, maioritariamente na composição religiosa e didáctica. A obra mais importante deste último período é a "Ecclesiastes", ou "Pregador do Evangelho" (Basiléia, 1535), na qual ele aponta a função de pregador como o serviço mais importante do padre cristão, uma ênfase protestante. O seu pequeno tratado de 1533, "Preparação para a Morte", no qual ele coloca ênfase na importância de uma boa vida como condição essencial para uma morte feliz, mostra outra tendência.

Erasmo retornou a Basileia, a sua casa mais feliz, em 1535, após ausência de seis anos. Lá, de novo entre o grupo de académicos protestante que eram seus amigos de longa data, e sem ter qualquer contacto que seja conhecido com a Igreja Católica Romana, Erasmo faleceu. Durante a sua vida, as autoridades da Igreja Católica nunca o tinham chamado a justificar as suas opiniões. Os ataques à sua pessoa foram de pessoas privadas, e os seus protectores tinham sido pessoas em altas posições. Em 1535 o Papa Paulo III intentou eleva-lo à condição de Cardeal, mas Erasmus alegou a sua avançada idade e estado de saúde para recusar. Após a sua morte, como reacção da Igreja Católica Romana, os seus escritos viriam a ser colocados no Index dos livros proibidos (ver Index Librorum Prohibitorum).


Legado

A popularidade extraordinária dos seus livros fica patente pelo número de edições e traduções que surgiram desde o século XVI, e no interesse permanente que é suscitado pela sua personalidade esquiva mas fascinante. Dez colunas do catálogo da "British Library" estão ocupados com a mera enumeração de suas obras e subsequentes reedições. Grandes nomes da era clássica e dos pais da igreja foram traduzidos, editados ou comentados por Erasmo, incluindo Santo Ambrósio de Milão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Basílio, São João Crisóstomo, Cícero, e Santo Jerónimo.

Erasmo faleceu em Basileia, Suíça.

Seu principal livro foi "Elogio da Loucura"

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ulrico Zuínglio

Ulrico Zuínglio, em alemão Ulrich (ou Huldrych) Zwingli, (Wildhaus, Cantão de São Galo, 1 de Janeiro de 1484 — Kappel am Albis, 10 de Outubro de 1531) foi um teólogo suíço e principal líder da Reforma Protestante na Suíça.

Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Independentemente de Martinho Lutero, que era doctor biblicus, Zuínglio chegou a conclusões semelhantes pelo estudo das escrituras do ponto de vista de um erudito humanista. Zuínglio não deixou uma igreja organizada, mas as suas doutrinas influenciaram as confissões calvinistas.

Biografia

Nasceu numa família rica da classe média, foi o terceiro de oito filhos. Seu pai Ulrico era o magistrado chefe da cidade e o seu tio Bartolomeu o vigário.

Fez os primeiros estudos em Basileia e Berna, e os estudos superiores em Viena e depois em Basileia, onde, em 1506, obteve o "Magister Sententiarum" (o título de Mestre das Sentenças de Pedro Lombardo). No mesmo ano foi ordenado sacerdote e destinado à paróquia de Glanora, na qual desempenhou com dedicação suas funções pastorais, sem descurar, por isso os estudos e os contatos com o mundo da cultura, tornando-se um convicto fautor do humanismo.

Em 1516 foi transferido para a abadia de Einsiedeln como capelão. Naquele santuário, a exuberância das práticas religiosas, que, nos fiéis, raiava pela superstição e, no clero, pelas práticas simoníacas, chocou profundamente o espírito do jovem sacerdote, preparando-o para as ideias da Reforma Protestante que não tardariam em vir da Alemanha.

Datam deste período os primeiros contatos com Erasmo de Roterdã, do qual se tornou grande admirador e em larga escala também seguidor.

Em 1519 foi transferido como cura da catedral, para Zurique, onde em suas pregações começou a criticar com insistência as indulgências e a comentar a Sagrada Escritura segundo o "evangelho puro", inspirando-se nos escritos de Lutero, que ele considerava substancialmente na linha do reformismo de Erasmo ou pelo menos não em antítese a ele. Mais tarde também atacou o celibato eclesiástico e o jejum e começou a conviver com uma viúva, a qual desposou publicamente em 1524. A partir de 1522 começou a criticar cada vez mais radicalmente a devoção a Nossa Senhora e aos santos, a autoridade dogmática e disciplinar dos concílios e dos papas, o culto das imagens, a missa como sacrifício. Em vista disso, o bispo de Constança proibiu-o de pregar, acusando-o de heresia.

A partir de 1522, ano em que se casou secretamente com Anna Reinhard, Zwingli se empenhou na obra da Reforma. Partindo do princípio de que só a Bíblia contém a doutrina necessária para a salvação, preparou 67 breves artigos de fé. Neles afirmava que Cristo é o único chefe da igreja e que a salvação se opera pela fé. Em De vera et falsa religione commentarius (1525; Comentário sobre a verdadeira e a falsa religião), negou o caráter sacrificial da missa, a salvação pelas obras, a intercessão dos santos, a obrigatoriedade dos votos monásticos, a existência do purgatório. Afirmou o caráter simbólico da eucaristia, divergindo de Martinho Lutero, que tomava de firma literal as palavras de Cristo "este é o meu corpo".

A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de Zurique e levou a mudanças significantes na vida civil e em assuntos de estado em Zurique. O governo de Zurique anulou a proibição do bispo, introduziu a língua alemã na liturgia e aboliu o celibato eclesiástico. A Reforma Protestante propagou-se desde Zurique a cinco outros cantões da Suíça, enquanto que os restantes 5 ficaram firmemente do lado da fé católica-romana.

Zuínglio organizou sessões de debate teológico, nas quais os argumentos dele e de outros protestantes eram confrontados com os argumentos da Igreja Católica oficial. Normalmente, os seus argumentos eram mais convincentes e estas sessões acabavam por ser um fortalecimento da reforma. Em Janeiro de 1523, foi organizada uma disputa em Zurique, com a presença de seiscentas pessoas, que assistiram a uma confrontação entre Zuínglio e os enviados do Bispo de Constança. Ao contrário do modelo medieval (disputatio), esta forma de disputa tem lugar em local público e não numa sessão fechada ao público, algures numa universidade, sendo falada em alemão e não em latim. Em 1528, uma sessão semelhante teve lugar em Berna.

Zuínglio tentou sem êxito a aliança entre Zurique, França e a Savoia, mas conseguiu organizar uma Aliança Cívica Cristã, que em 1529 já contava com vários cantões, iniciando-se a luta armada. Decidido a pôr fim ao perigo de intervenção imperial, em face da hostilidade dos cantões católicos, Zwingli incitou o Conselho de Zurique a atacá-los e, ao acompanhar as tropas como capelão, encontrou a morte em batalha, perto de Kappel am Albis, em 11 de outubro de 1531. Crê-se que o seu cadáver foi esquartejado e dado às chamas.


Zuínglio e Martinho Lutero

Martinho Lutero frequentemente atacava algumas afirmações de Zuínglio. Muitas tentativas foram feitas para a aproximação dos dois reformistas, mas nunca tiveram sucesso. Quanto à visão teológica, a de Zuínglio tem muitos elementos em comum com a de Lutero nas negações, mas é muito diferente dela nas afirmações. De fato, o motivo que levou Zuínglio à Reforma é precisamente o contrário ao de Lutero. Este último era movido por razões fideístas: a incapacidade do homem, em virtude das quais o homem e Deus estão separados por um abismo tão grande que nenhuma série de intermediários jamais poderá transpor. Zuínglio, ao contrário, apoiava-se em motivos racionalistas e humanísticos: a bondade essencial do homem, que faz com que ele não precise de nenhuma série de impulsos para subir até Deus, porque está em condições de fazê-lo sozinho.

A tendência racionalista da reforma zuingliana pode ser notada imediatamente nas seguintes doutrinas: redução do pecado original a um simples vício hereditário não merecedor de condenação eterna e sem diminuição das forças éticas do homem; valor positivo da Lei e não meramente negativo; felicidade eterna acessível também aos sábios pagãos que tivessem praticado a lei moral natural. Lutero e Zuínglio estão muito longe um do outro tanto pelos motivos teológicos quanto pelos motivos que se propuseram com a Reforma: enquanto Lutero que responder à questão "como serei salvo?", Zuínglio propõe outra: "como será salvo o meu povo?".

"A grande preocupação de Lutero, tanto em Erfurt quanto em Wittenberg, era a salvação de sua alma. Não era certamente uma angústia egoísta porque pode-se dizer que ele tomou sobre si a angústia de toda a sua época. Mas o que constituía o tormento de Zuínglio era a salvação de seu povo."


Zuínglio e João Calvino

Ulrico Zuínglio morreria em 1531, e com sua morte, parecia que a reforma na Suíça acabaria. Mas o movimento continuou, e agora quem assumiria a liderança seria Heinrich Bullinger, que embora fosse um líder muito capaz, parecia que o movimento estava condenado a ficar restrito a algumas regiões da Suíça e da Alemanha, e assim não causaria qualquer impacto ao restante da Europa e ao mundo. Mas então entra em cena João Calvino, um intelectual brilhante que iria dar profundidade teológica à fé reformada, sistematizando-a em suas Institutas da Religião Cristã, conduzindo-a a um alcance e impacto por toda a Europa, e daí ao resto do mundo, transpondo fronteiras territoriais e temporais.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Thomas Muntzer

No contexto da história da Reforma, Thomas Müntzer é uma das personagens mais controvertidas, capaz de suscitar julgamentos díspares.
O sociólogo Ernst Bloch diz que "quando o analisamos enquanto homem de ação, ressaltam nele o presente e o absoluto, numa perspectiva mais altaneira e mais ampla que numa experiência demasiado vivida, e apesar disto, com vigor idêntico, Müntzer é, antes de tudo, História, no sentido fecundo (…) para comprometer-nos, entusiasmar-nos, para apoiar, sempre mais amplamente, nosso desígnio".

Já o teólogo Paul Althaus viu nele "o lúgubre, o negro fervor das idéias teocrático-taboritas" que o ligavam à "exasperação dos camponeses" confrontados com a "pureza ética" do posicionamento de Lutero.
Por seu turno, o teólogo luterano Eric Gritsch, chama-o de "reformador sem Igreja".
Thomas Müntzer era um teólogo e jamais deixou de sê-lo, mesmo quando enveredou pela arriscada trilha da política revolucionária.

Embora seja geralmente apresentado como um anabatista e líder dos camponeses rebeldes, a verdade é que Müntzer jamais demonstrou grande interesse pela questão do quando e como batizar (pedra angular do anabatismo) e sua participação efetiva na Guerra dos camponeses deu-se apenas no fim de sua vida, quando comandou o grupo de campônios massacrado em Frankenhausen.

Malgrado sua retórica inflamada e revolucionária estabelecer muitos pontos de contato com a doutrina anabatista e as reivindicações sociais dos camponeses, Muntzer seguiu seu próprio caminho, pautado por interpretações apocalípticas da Bíblia, onde se via como um profeta empenhado em construir o Reino de Deus na Terra.
Mas ao associar o advento desse Reino a uma radical reforma social, que eliminaria distinções e privilégios, ele se indispôs com as nobresas católica e luterana - que disputavam o poder de definir os rumos da cristandade ocidental -, comprando uma briga que não podia ganhar.

Foi esmagado nela.

Quatro diferentes Thomas Müntzers sobreviveram na História.
• Para os protestantes ortodoxos, ele teria sido um típico anabatista que não fez outra coisa senão proclamar suas doutrinas de sectarismo radical.
• Para os anabatistas de Zurique, mesmo com ressalvas, ele era veraz e fiel mensageiro do Evangelho.
• Para os historiadores católicos romanos, Müntzer simplesmente operou dentro das inevitáveis conseqüencias do individualismo protestante.
• Para os historiadores marxistas, ele pontificou como o grande ideólogo da Guerra dos Camponeses, o primeiro político cosmopolita.

Biografia

Thomas Müntzer nasceu na pequena vila de Stolberg, nas montanhas de Harz. Educou-se em Leipzig e Frankfurt an der Oder, obtendo o mestrado e completando o Bacculareus biblicus. Dominava o grego, o hebraico e o latim.
Foi ordenado padre em 1513, tornando-se prepósito-confessor no convento feminino de Beuditz onde, com a segurança e a disponibilidade de tempo proporcionados por sua posição, passou mais de um ano estudando os livros de Flávio Josefo, a História Eclesiástica de Eusebius, Santo Agostinho, os Atos dos conselhos gerais, e os Atos dos concílios de Constance e de Basiléia.

Em 1517, entrou em contato com a discussão que se acendia em torno do professor da Universidade de Wittenberg, Martinho Lutero. Até 1520, Müntzer trocou, por diversas vezes, o local de suas atividades, sendo que, nesse período, entre 1517 a 1520, tornou-se adepto da causa de Lutero, a quem conheceu, provavelmente, em 1519.
Assim como Lutero, Müntzer passava, nessa época, por profundas dúvidas. Mas enquanto Lutero queria entender Deus, cheio de sentimentos de culpa e pavor, Müntzer desesperava-se por não possuir a Deus e o seu poder, martirizando-se com a questão se a doutrina de Cristo era, realmente, procedente de Deus.

À semelhança de Lutero, Müntzer voltou-se para os místicos alemães, começando a ler as obras de Eckhart, Suso e Tauler. Na leitura desses livros, ele encontrou a afirmação de que Deus primeiro lança a todos os seus amigos na noite do desespero (assim como ele, Müntzer), antes de permitir que o seu sol brilhe sobre eles. Encontrou, ainda, a afirmação de que o eterno Deus se revela aos seus no mais profundo da alma, sem meios exteriores. Ou seja, que o homem pode sentir Deus e ter certeza absoluta Dele, e que, para isso, é preciso abandonar tudo o que não é Deus. Müntzer experimentara a "noite", mas faltava-lhe sentir Deus.

Em 1520, com a recomendação de Lutero, foi indicado como pregador do evangelho na igreja de Santa Maria, em Zwickau, substituindo, temporariamente, o pastor Johannes Sylvius Egranus.

Fé revolucionária

Àquele tempo, Zwickau vivia dias agitados, por conta de uma seita chiliástica de religiosos revolucionários, conhecidos como os "Profetas de Zwickau". Os membros da seita - profundamente influenciados pela linha taborita dos Hussitas - tinham bons conhecimentos bíblicos, diziam ter feito experiências com o Espírito Santo, e pretendiam erigir o Reino de Deus, eliminando todos os não-crentes.

Em sua procura por uma experiência com Deus, foi de vital importância, para Müntzer, o encontro com o tecelão Nicholas Storch, lider daquela seita. A partir do relacionamento entre os dois, Müntzer não somente adotou a idéia da concretização terrestre do Reino de Deus, difundida pelos taboritas, bem como os métodos radicais propostos e praticados por Storch e seu grupo.

Os sermões de Müntzer, em Zwickau, se foram tornando crescentemente violentos, resultando em problemas com a Assembléia Municipal da cidade e com a congregação de Santa Maria. Obrigado a devolver o púlpito a Johannes Egranus, ele tornou-se pastor de Santa Catarina, uma grande congregação composta por mineiros, tecelões pobres, e desempregados. Foi lá que Müntzer tornou-se, conscientemente, um pastor de pobres, afastando-se, mais ainda, do luteranismo ortodoxo, e assumindo o discurso apocalíptico dos "Profetas". E visto que sua relação com a Assembléia Municipal assumiu um crescente antagonismo, na primavera de 1521, ele recebeu ordem para sair de Zwickau.

Müntzer transferiu-se para Praga onde foi, inicialmente, bem acolhido pelos luteranos locais, sendo convidado a pregar em várias igrejas. Mas também ali não tardou para que seus sermões inflamados, eivados, por vezes, de uma linguagem grosseira, afastassem os sofisticados cidadãos de Praga. Desiludido, ele deixou a cidade, em dezembro de 1521, não sem antes (imitando Lutero) pregar nas portas das principais igrejas, um manifesto resumindo suas principais idéias milenaristas.

Ao longo de 1522, Müntzer vagou por várias pequenas cidades e aldeias, sem obter uma ocupação regular. Até que foi aceito como pastor da Igreja de São João, na pequena cidade de Alstedt (Saxônia), em 1523.
Os dezesseis meses que Müntzer permaneceu em Alstedt, foram os mais profícuos de sua vida de teólogo. Escreveu e celebrou a primeira Eucaristia no idioma alemão e depois publicou um missal completo com liturgias para Comunhão, Batismo, Matrimônio, e funerais, inclusive confissão pública de pecado antes da comunhão. Casou-se com ex-freira, Ottilie von Gersen, de quem teve um filho. Seus sermões - ainda tempestuosos, porém mais brandos do que os de Zwickau - , fizeram dele o pastor mais popular de todo distrito. As pessoas vinham dos arredores para ouvi-lo e sua liturgia tendia ser amplamente adotada pelos luteranos.

Porém não tardou para que ele retomasse sua mensagem apocalíptica, apresentando-se, abertamente, como um homem escolhido de Deus para sanear o mundo corrompido. Ao mesmo tempo, integrando-se ao espírito da Revolta dos Camponeses - que grassava em vários pontos da Alemanha -, ele começou a organizar, secretamente, um grupo revolucionário - a "Liga dos Eleitos" -, dedicado a atacar conventos e monastérios na zona rural e nos arredores da cidade. Também envolveu-se em áspera disputa com o senhor local, o Conde de Mansfeld .

Suas divergências com Lutero se tornaram mais nítidas nos numerosos panfletos que ele passou a, constantemente, emitir. Neles, Lutero é denunciado como impostor, pois se abstém de intervir na luta contra injustiças sociais, chegando até, ao contrário, a justificá-las, para granjear apoio dos príncipes. Daí a comparação com os sábios da corte de Nabucodonosor, incapazes, como Lutero - porque vis bajuladores do poder - de descobrir o sentido dos sonhos, isto é, da História. Para Muntzer, a fé do cristão não pode escravizar-se a uma doutrina de predestinação, esperando ser escolhido para o Reino de Deus, porém deve ser uma fé revolucionária, que liberta e que confere forças ao homem para construir o Reino de Deus na Terra.

Preocupado com a fama de Müntzer, o eleitor da Saxônia, Frederico, encarregou seu irmão, duque João, de investigar o inflamado pregador. Convocado a expor suas idéias, Münzer formulou, em 13 de julho de 1524, aquela que foi considerada a mais extraordinária expressão vocal pública da era da Reforma, baseada em visões apocalípticas do livro de Daniel.

Sermão para a nobreza

Na primeira parte de seu sermão, Müntzer desenvolve a concepção de que a história da Igreja é a história da progressiva deteriorização de uma situação inicial ideal. Cristo e seus apóstolos e, antes deles, os profetas, deram início a uma cristandade pura, mas seus sucessores foram maus servidores da Igreja que não tiveram o fervor necessário para levar a cabo o que Cristo iniciara. A Igreja iniciada logo estava em ruínas.
Os pobres camponeses foram iludidos com respeito ao verdadeiro significado do Espírito de Cristo, pois "em seu lugar foi colocada uma bela, delicada e áurea divindade, ante a qual os pobres camponeses ficam se babando".
Com seu mágico culto cerimonial, com seu culto às imagens, a igreja romana ocultou aos pobres e oprimidos o verdadeiro caráter revolucionário do Espírito de Cristo.

 É necessário, pois, uma grande e poderosa força, que será dada de cima, para castigar e debilitar esta indizível maldade. Deve-se usar "mão poderosa contra os inimigos de Deus".
Na segunda parte, Müntzer continua a desenvolver sua reflexão a respeito da adulteração da cristandade e demonstra que esta abominação não é apenas uma característica da igreja católica, mas também de seus novos adversários, os astutos escribas semelhantes a Lutero, que enganam a pobre gente ignorante, dizendo-lhe que Deus já não revela seus segredos divinos por meio de visões verdadeiras ou de sua palavra audível, e fazem objeto de burla os homens que se ocupam com a revelação.

Na terceira parte, Müntzer desenvolve, em rápidos traços, sua concepção do ouvir da palavra interna no "abismo da alma", sem o que nenhum homem pode dizer algo profundo a respeito de Deus, "ainda que haja devorado cem mil Bíblias". Porque a verdadeira palavra não se encontra nem na letra da Escritura, nem na luz natural da razão, mas no coração humano, e o homem somente se apercebe dela, quando Deus lhe envia o impulso ao coração. Esse impulso "é cruz, necessidade e aflição".
Na quarta parte, Müntzer reúne sua teologia do Espírito com sua visão da história, chegando a uma aplicação político-revolucionáría.

O alvo da revolução é levar a pessoa a sua verdadeira finalidade: a vida com e em Deus. A mudança das condições políticas e sociais vigentes criará a possibilidade para a redenção da humanidade do mal. Havendo mudança das condições externas de vida, ocorrerá também a mudança interna. E o momento da mudança é chegado.
O que Müntzer quer é a revolução e não a evolução pregada por Lutero. Destruída a velha igreja, surgirá uma nova ordem social e a humanidade voltará ao "comunismo do amor" da cristandade primitiva. Mas para isso, devem ser eliminados todos aqueles que se opõem à vontade de Deus.

Com uma autoconfiança incrível, Müntzer convoca os príncipes saxões a assumirem o comando desse processo de mudança, eliminando os "perversos" pois "o homem ímpio não tem direito de viver, onde estorva os justos".
Seu sermão foi impresso e distribuído, desagradando o Eleitor Frederico, outros príncipes, e Lutero. Em conseqüência, o Conselho de Alstedt foi pressionado para expulsar Müntzer, mas antes disso, na noite de 7 de agosto de 1524, ele saiu da cidade, deixando para trás sua esposa, seus filhos e suas posses.

Frankenhausen

Após passar algum tempo viajando, Müntzer chegou a Mühlhausen, onde o militante anabatista Henry Pfeiffer organizara sua Liga dos Eleitos visando assumir a cidade. Quando a cidade caiu em poder dos radicais, Müntzer colocou-se à frente de deles, preparando Mühlhausen para aderir à revolta dos camponeses, que se aproximava, e cuja vitória ele profetizava.
Na primeira semana de maio de 1525, o exército camponês, entre oito e dez mil, entrou em Frankenhausen, que tinha sido tomada por revolucionários de Mühlhausen. Enquanto isso, o Duque João, que havia se tornado eleitor pela morte de seu irmão em quatro de maio, e outros príncipes das vizinhanças, levantaram um exército sob o comando de Filipe, proprietário de terras em Hesse, que imediatamente marchou para encontrar os campônios.
No dia 15, Felipe atacou com cerca de cinco mil artilheiros e dois mil cavaleiros. À frente dos camponeses, Müntzer, que não tinha conhecimento militar, enfrentou os exércitos da nobreza com oito canhões sem munição, uma bandeira com o símbolo do arco-íris e uma espada. Os camponeses foram feitos em pedaços. Cinco mil morreram no campo de batalha, seiscentos foram capturados, e o restante fugiu para as florestas da Turíngia. O exército de Filipe perdeu apenas seis homens.

Muntzer foi preso, torturado e decapitado em 27 de maio de 1525.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Atanásio de Alexandria. (295-373)

Postado por instrutordanielpena em quarta-feira, 26 de maio de 2010 | 10:04

Viveu 78 anos.

considerado santo  pela Igreja Ortodoxa e Católica (esta última reverencia-o também como um dos seus trinta e três Doutores da Igreja) e ainda um dos mais prolíficos Padres da Igreja Orientais.

Foi um dos defensores do ascetismo cristão, tendo inaugurado o género literário da hagiografia, com a Vida de Santo Antão do Deserto, escrita primeiramente em grego e logo traduzida para latim, tendo-se difundido com grande rapidez pelo Ocidente do Império Romano. Este género baseava-se nas Vitæ de autores romanos pagãos (v. g., as Vidas dos Doze Césares, de Suetónio); porém, o que Atanásio procura fazer é tornar as Vitæ um modelo a ser seguido por todo o rebanho cristão, e é nesse sentido que é visto como criador do género; o que relata não tem que ser necessariamente verdadeiro, antes deve infundir no crente cristão a vontade de cultivar esse mesmo modelo de vida.

Do ponto de vista doutrinal, foi perseguido e exilado devido às acesas discussões que manteve contra partidários do Arianismo; para além disso, defendeu a consubstanciação das três pessoas divinas na Santíssima Trindade, tal como definido pelo Concílio de Niceia, em 325, no Credo Niceno.

Cresceu em Alexandria, no Egito e não recebeu formação filosófica.

Converteu-se ao cristianismo ainda jovem, e aos 23 anos já era diácono do bispo de Alexandria. Dedicou pouco tempo aos estudos, mas muito aos estudos das Escrituras, as quais eram sua principal fonte de saber e conhecia profundamente.

O arianismo estava sendo difundido na época.

Ário, que era padre de uma importante igreja Alexandrina, havia concluído dos ensinamentos de Orígenes (que não afirma nada, essa foi uma leitura ariana) que Jesus Cristo não participa da mesma substância de Deus. (Contra o dogma da Trindade). Só por metáfora deveríamos entender que Jesus é filho de Deus, ele é o filho de Deus na moralidade. Ário separava então o Filho do Pai. Segundo ele, se houve um tempo em que Jesus não existia, então não podem coexistir Pai e Filho, Jesus e Deus. Jesus é uma criatura sublime, mas sua essência não é idêntica a do Pai.

Como o arianismo se expandiu, muitas controvérsias surgiram. O imperador Constantino, preocupado com essa divisão da ortodoxia cristã, convocou então um concílio para a cidade de Nicéia, com o objetivo de resgatar a unidade política.

Atanásio era diácono quando acompanhou o bispo Alexandre ao Concílio de Nicéia, que aconteceu em 325 e durou cerca de três meses. O imperador Constantino foi o mediador, apesar de não ter nenhuma formação teológico-religiosa. Ele objetivava unir as igrejas do Oriente e do Ocidente.

No Concílio de Nicéia foram tratados:

- O cisma meleciano: seguidores de Melécio, que cismava em não readmitir na comunidade cristã os cristãos que haviam abjurado da fé durante as perseguições que duraram nove anos, de 303 a 312.

- Questão Pascal: os bispos utilizavam a Páscoa para transmitir novas doutrinas.

- Teses arianas: nas quais se discutia se o Pai era diferente do filho na substância.

Nesse concílio, somente os bispos poderiam discursar, e, apesar de ainda diácono, Atanásio conseguiu “driblar a burocracia”, e mostrou-se um ótimo orador, eloqüente e persuasivo. Ele tinha talento para as discussões teológicas e conhecia profundamente as Escrituras.

Foi ele a principal figura do Concílio e quem contribuiu para que a Igreja adotasse a doutrina da Trindade, a consubstancialidade do Pai com o Filho, onde ele afirmava que Pai e Filho participam sim, da mesma substância.

No final do Concílio, foi então decidido a favor de Atanásio e Ário foi exilado.

Com a morte do bispo de Alexandria, Atanásio assumiu o bispado. Seu episcopado durou 46 anos, período durante o qual ele foi muito perseguido e exilado cinco vezes. Ele entrou em conflito diversas vezes contra os arianos, melecianos e contra alguns imperadores.

Em 330, dois anos depois da consagração como bispo, o imperador Constantino queria que Atanásio entrasse em comunhão com Ário, que havia retornado do exílio. A irmã de Constantino era a favor do arianismo e pediu a um padre de confiança para que falasse em favor de Ário para o imperador. Este concedeu então a retirada da sentença de exílio.

Mas Atanásio manteve-se firme e não quis aceitar Ário na comunidade ortodoxa. Por promulgação do imperador, Ario seria admitido em 336 na catedral de Constantinopla, mas morreu no mesmo dia, de “circunstâncias estranhas”.

Atanásio tornou-se muito popular, e passou a ser objeto de intrigas entre seus opositores arianos e melecianos. Estes espalharam boatos sobre Atanásio, difamando seu nome, o que ocasionou um Sínodo em Tiro, no qual ele conseguiu provar sua inocência, porém seus opositores disseram ao imperador que Atanásio havia cortado o fornecimento de trigo para Roma, o que fez com que Constantino o enviasse ao exílio pela primeira vez. (335-337). Ficou exilado na Gália e lá conheceu a vida monástica.

Quando Constantino morreu em 337, seus filhos tornaram-se imperadores, Constâncio ficou com o Oriente, e apesar de sustentar a tese ariana, permitiu o retorno de Atanásio, mas os arianos conseguiram condenar Atanásio novamente em um Sínodo em 339, dois anos depois, onde foi substituído por Gregório de Capadócia. Ele foi para Roma, onde foi recebido pelo papa Júlio, que o apoiava.

Gregório de Capadócia morreu em 345 e Constante, o imperador do Ocidente, convenceu Constâncio a readmitir Atanásio.

Após a morte de Constante, Constâncio tornou-se imperador do Oriente e Ocidente, e adotou definitivamente a causa do arianismo. Atanásio foi exilado pela terceira vez.

Com a morte de Constâncio, Juliano, seu primo, assumiu o poder, e afim de demonstrar uma política tolerante, readmitiu Atanásio. Mas o que ele queria mesmo era restabelecer novamente a antiga religião, o paganismo.

Atanásio retornou a Alexandria, mas lutou contra a restauração do paganismo, o que causou a ira do imperador, e ele foi exilado pela quarta vez. Dessa vez foi para o deserto do Egito. (362).

Um ano depois o imperador morreu e assumiu o poder um católico ortodoxo, que deu fim ao exílio de Atanásio, mas este também morreu um ano depois, e quem assumiu foi Valentino, que era favorável ao arianismo, e Atanásio foi exilado pela quinta vez. Ficou dois anos novamente no deserto, e retornou em 366, quando reassumiu seu lugar como bispo até o fim da vida. Morreu em 373.

Obras

A maior parte das obras está ligada à defesa da Consubstancialidade do Pai e do Filho e à Divindade do Verbo.

As obras mais significativas são:

- Apologia contra os arianos : três livros, onde ele narra as perseguições que sofreu e fala sobre a doutrina ariana.

- Epístola Sobre o Decreto do Concílio de Nicéia: defesa da consubstancialidade do Pai e do Filho

- A Vida e a Conduta de Santo Antão: biografia de Santo Antão e defesa da vida monástica como regra para boa vida religiosa. (Agostinho também fala de Santo Antão nas Confissões)

- Obras Exegéticas (interpretações bíblicas) : só restam alguns fragmentos, dos quais o mais importante é uma carta a Marcelino, onde ele comenta a utilização dos salmos na vida das pessoas e seu sentido profético.

- Cartas a Epíteto e a Máximo: devemos adorar Jesus Cristo como o verdadeiro Deus.

- Contra os Pagãos / A Encarnação do Verbo: Contra o paganismo e a defesa mais importante da consubstancialidade do Pai e do Filho. A natureza e a geração do Verbo Divino.

Atanásio defendeu sua fé durante toda a sua vida, lutou contra todos os opressores e opositores da sua fé, defendeu a independência da Igreja contra as autoridades políticas, sempre em defesa da fé cristã.

Ário negava a consubstancialidade do Pai e do Filho, afirmando que Jesus era inferior a Deus. Para falarmos sobre o Atanásio, é inevitável comentar o arianismo.

Ário era aberto à filosofia, mais culto. Ele defendia a tese de que Jesus e Deus não participavam da mesma substância, que o Filho era fruto da vontade do Pai, apesar de ter vindo para resgatar os homens de seus pecados. Ele escreveu pouco e desse pouco só restam alguns fragmentos, fica difícil fazer uma verdadeira leitura do que foi essa doutrina originariamente, mas sabemos que ela partiu de um axioma, de que Pai e Filho não eram coexistentes. Para Ário, Jesus Cristo é filho de Deus no sentido moral. O verdadeiro Deus o adotou como filho, mas isso não implica em dizer que Jesus tem participação essencial e substancial com a divindade.

Em um sermão, Ário simplificou sua tese:

“Por isso é que há três substâncias: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus, que é justamente causa de todos os seres, é de maneira absoluta o único sem princípio. O Filho, gerado pelo pai fora do tempo antes de todas as coisas, somente Ele foi criado pelo Pai único. Ele não é eterno, nem coeterno e não partilha o fato de não ser gerado como e com o Pai. Ele não tem existência com o pai, como dizem alguns de um e de outro, afirmando dois princípios não gerados. Mas como unidade e princípio de tudo, Deus é antes de todas as coisas. Por isso Ele também é antes de Cristo… Na medida, pois, em que seu ser, sua vida e sua glória, e tudo o que lhe foi conferido lhe vêm de Deus, Deus é o seu princípio. Ele lhe é superior como seu Deus.”

Esse Deus uno de Ário remete a um neoplatonismo plotiniano, para quem o Bem é o Uno a que todas as coisas remetem, portanto não poderiam existir dois ou três bens. Plotino era contemporâneo seu, e egípcio.

Essa resposta sobre as relações entre o Pai e o Filho é racionalista. Mas devemos questionar até que ponto esse racionalismo não remetia de certa forma à heresia, já que estava em questão a divindade cristã.

Atanásio partia da fé para afirmar sua tese da consubstancialidade do Pai com o Filho. Se Jesus foi gerado pelo Pai, e tudo aquilo que é gerado carrega consigo a mesma substância daquilo que o gerou, então Jesus carrega a divindade de Deus.

Os homens foram gerados do nada, somente Jesus Cristo foi gerado de Deus. Ele é a manifestação corporal do Verbo Divino, que é o ser.

Deus – Verbo – Ser

O Verbo se manifestou num corpo humano para salvação da humanidade.

Deus criou a matéria, por isso o chamamos de criador. Ele não recusa a existência de nada, porque Ele é bom, e recusar a existência de algo corresponde ao ódio. Ele nos deu a existência e apiedou-se de nós, criando os homens à Sua imagem, para que participássemos do Verbo.

Os homens, ao afastarem-se de Deus, voltaram-se para o nada.

Ser (Deus)
Jesus
Homem
Nada (Mal)

A natureza divina não poderia deixar que algo à sua semelhança tendesse para o nada, e por sua filantropia quis salvar a humanidade. Ao afastar-se de Deus, o homem tornou-se corruptível tendendo ao nada. A Manifestação do Verbo aconteceu para que os homens pudessem ser salvos de sua tendência natural ao nada e voltarem-se novamente para o Ser Pleno, que é Deus. Ou seja, o homem é corruptível porque transgrediu os mandamentos e saiu do estado para o qual Deus o criou. Ao contrário de Jesus Cristo, o homem foi criado do nada e tende naturalmente ao nada. Jesus foi criado de Deus e tende naturalmente a Ele.

Portanto, a Encarnação do Verbo acontece para salvar o homem da sua natureza corruptível. O homem deveria compartilhar da semelhança que tem com Deus, e assim desviar sua tendência natural, que é o mal, o não ser.

O Verbo de Deus é incorpóreo, incorruptível e imaterial, mas criou-se do amor divino pelos homens, afim de salvá-los. O homem, dentro da sua incapacidade de conhecer o imaterial, já que é matéria, precisava de algo também material para conhecer a Deus em sua plenitude. Deus é a razão pela qual os homens existem, a compaixão divina já existe quando Ele cria os homens, pois temos uma razão pela qual existir, procurar aquele que nos criou. Deus, ao criar o homem, queria fazer-se conhecer, e por essa razão os fez à sua imagem, mas somente com Jesus Cristo o homem seria capaz de aperceber-se disso. Do conhecimento de Deus resulta a felicidade. Sobre os antigos, eles sabiam que havia Deus, mas desviavam esse conhecimento porque eram impelidos para o nada, a adorarem deuses que na verdade eram criaturas , e não o criador. Somente o verdadeiro Ser deveria ser adorado. Os antigos só desconheciam a sua imagem, e a manifestação do Verbo através da encarnação auxiliou os homens a conhecerem a imagem do que deveriam ser.  Moral Cristã traz as leis divinas.

Ele diz:

“Assim, o Verbo, querendo devidamente socorrer os homens, deveria residir na terra como homem, tomar corpo semelhante ao deles, e agir através das coisas terrenas, isto é, por obras corporais. Desta forma, os que não haviam querido reconhecê-lo por causa de sua providência e seu domínio universais, reconheceriam pelas obras corporais o Verbo de Deus encarnado, e por Ele, o Pai.”

O verbo baixou até tornar-se visível e corpóreo.

Deus – Ser- Verbo
Jesus Cristo
Homem
Nada (não ser)

As próprias obras de Jesus Cristo, apesar de terem sido realizadas corporalmente, mostram que ele difere dos homens. Suas obras indicam sua divindade. Jesus Cristo é sabedoria, o conhecimento de Deus.

Na verdade, tudo está repleto do conhecimento de Deus, mas o homem é incapaz de enxergar, por causa da sua tendência ao nada. Então Jesus Cristo nos coloca em contato
com a sabedoria divina. Para Atanásio, Jesus Cristo não é a revelação de um homem, mas a revelação do Verbo de Deus.

O Verbo, que é ser, contém todas as coisas, mas não é contido por elas. Ele opera sobre tudo, mas nada opera sobre Ele. O Verbo não é apenas encarnação, mas plenitude da salvação universal.

O Verbo de Deus domina a parte corpórea para viver como homem, mas, sendo Verbo, dá vida a todos os seres e não está junto a um corpo, pois junto só está do Pai. É natural que o enxerguemos enquanto homem, já que se nos mostrou através dessa forma, mas é através da percepção da divindade contida nas obras dele que se mostrou divino. Quem realizava os milagres era o Verbo Divino. Somente o Verbo seria capaz de purificar os humanos, curar doenças e fraquezas, transformar água em vinho. Somente o criador da água poderia modificar sua substância. E ele o fez para que não duvidassem de que ele é o Filho de Deus. O Verbo, portanto, se revelou ao homem por meio das suas obras divinas.

O corpo de Jesus Cristo nunca esteve sujeito à corrupção, pois ele não tendia ao nada. Somente Ele veio de Deus, então sua tendência natural era para Deus, enquanto o homem, que veio do nada, tendia ao nada. Seguir a moral cristã elevaria o homem novamente a Deus.

A Igreja Católica adotou a santíssima trindade de Atanásio para evidenciar a fé em Jesus Cristo. A postura ariana colocava em questão a divindade cristã. Quanto ao Espírito Santo, Atanásio diz que aquilo que conferia divindade a Cristo só poderia ser divino também, por isso o Pai, o Filho e o Espírito Santo participam da mesma substância.

O que é colocado aqui é mesmo uma questão de fé, enquanto Ário diz que Jesus é derivado de Deus, mas não é absoluto como Ele, afirmava que o Verbo é inferior ao Pai, Atanásio parte da sua fé absoluta na divindade Cristã.

Por Paula Ignácio

Martinho Lutero

Postado por instrutordanielpena em terça-feira, 17 de março de 2009 | 14:24

Divulgação

Martinho Lutero, cujo nome em alemão
era Martin Luther ou Luder, era filho de Hans Luther e Margarethe
Lindemann. Mudou-se para Mansfeld,
onde seu pai dirigia várias minas de cobre. Tendo sido criado no campo, Hans
Luther desejava que seu filho viesse a se tornar um funcionário público;
melhorando, assim, as condições da família. Com esse objetivo, enviou o jovem
Martinho para escolas em Mansfeld, Magdeburgo
e Eisenach.

Aos dezessete anos, em 1501,
Lutero ingressou na Universidade de Erfurt,
onde tocava alaúde e recebeu o apelido
de "O filósofo". O jovem estudante graduou-se bacharel em 1502
e concluiu o mestrado em 1505,
sendo o segundo entre dezessete candidatos[7].
Seguindo os desejos paternos, inscreveu-se na escola de Direito da mesma
Universidade. Mas tudo mudou após uma grande tempestade com descargas elétricas,
ocorrida naquele mesmo ano (1505):
um raio caiu próximo de onde ele estava passando, ao voltar de uma visita Ã
casa dos pais. Aterrorizado, gritou então: "Ajuda-me, Sant'Ana!
Eu me tornarei um monge!"


Tendo sobrevivido aos raios, deixou a faculdade, vendeu todos os seus livros,
com exceção dos de Virgílio,
e entrou para a ordem dos Agostinianos,
de Erfurt, a 17
de julho
de 1505.[8]

Vida monástica e acadêmica






Lutero com a tonsura monástica



O jovem Martinho Lutero dedicou-se por completo à vida no mosteiro,
empenhando-se em realizar boas obras a fim de agradar a Deus e servir ao próximo
através de orações por suas almas. Dedicou-se intensamente à meditação, às
autoflagelações, às muitas horas de oração diárias, às peregrinações e
à confissão. Quanto mais tentava ser agradável ao Senhor, mais se dava conta
de seus pecados

Johann von Staupitz, o superior de Lutero, concluiu que o jovem necessitava de mais
trabalhos, para afastar-se de sua excessiva reflexão. Ordenou, portanto, ao monge que iniciasse uma carreira acadêmica. Em 1507, Lutero foi ordenado sacerdote. Em 1508, começou a lecionar Teologia na Universidade de Wittenberg. Lutero recebeu seu bacharelado em Estudos Bíblicos a 19 de março de 1508.
Dois anos depois, visitou Roma, de onde regressou bastante decepcionado.

Em 19 de outubro de 1512, Martinho Lutero graduou-se Doutor em Teologia e, em 21 de outubro do mesmo ano, foi "recebido no Senado da Faculdade Teológica" com o título de "Doutor em Bíblia". Em 1515, foi nomeado vigário de sua ordem tendo sob sua autoridade onze monastérios.

Durante esse período, estudou grego e hebraico, para aprofundar-se no significado e origem das palavras utilizadas nas
Escrituras - conhecimentos que logo utilizaria para a sua própria tradução da
Bíblia.

A teologia da graça de Lutero


O desejo de obter tí­tulos académicos levaram Lutero a estudar as Escrituras em profundidade. Influenciado por sua formaço humanista
a buscar "ad fontes" (nas fontes), mergulhou nos estudos sobre a Igreja Primitiva. Devido a isso, termos como "penitência" e "honestidade" ganharam novo significado para ele.

Já convencido de que a Igreja havia distorcido sua visão acerca de várias das verdades do Cristianismo
ensinadas nas Escrituras - sendo a mais importante delas a doutrina da chamada "Justificação" apenas pela fé; ele começou a ensinar que a Salvação era um benefí­cio concedido apenas por Deus, dado pela Graça divina através de Jesus Cristo e recebido apenas por meio da fé.

Mais tarde, Lutero definiu e reintroduziu o princí­pio da distinção própria entre a Torá (Pentateuco, ou Lei Mosaica) e os Evangelhos,
que reforçavam sua teologia da graça. Em consequência, Lutero acreditava que seu princó­pio de interpretação era um ponto inicial essencial para o estudo das Escrituras. Notou, ainda, que a falta de clareza na distinção da Lei e dos Evangelhos, era a causa da incorreta compreensão dos Evangelhos de Jesus pela Igreja de seu tempo, instituição a quem responsabilizava pela criação e fomento de muitos erros acerca de princó­pios teológicos fundamentais.

A controvérsia acerca das indulgências

Além de suas atividades como professor, Martinho Lutero ainda colaborava como pregador e confessor na igreja de Santa Maria, na cidade. Também pregava habitualmente na igreja do Castelo (chamada de "Todos os Santos" - porque ali havia uma coleção de relíquias, estabelecidas por Frederico II de Sabóia).
Foi durante esse período que o jovem sacerdote se deu conta dos problemas que o oferecimento de indulgências aos fiéis, como se esses fossem fregueses, poderiam acarretar.

A indulgência

é a remissão (parcial ou total) do castigo temporal imputado a alguém por conta dos seus pecados. Naquele tempo qualquer pessoa poderia comprar uma indulgência, quer para si mesmo, quer para um parente já morto que estivesse no Purgatório.
O frade Johann Tetzel fora recrutado para viajar através dos territórios episcopais do arcebispo
Alberto de Mogúncia, promovendo e vendendo indulgências com o objetivo de financiar as reformas da Basílica de São Pedro, em Roma.

Lutero viu este tráfico de indulgências como um abuso que poderia confundir as pessoas e levá-las a confiar apenas nas indulgências, deixando de lado a confissão e o arrependimento verdadeiros. Proferiu, então, três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517. Segundo a tradição, a 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Essas teses condenavam a avareza e o paganismo na Igreja como um abuso, e pediam um debate teológico sobre o que as Indulgências significavam. Para todos os efeitos, contudo, nelas Lutero não questionava diretamente a autoridade do Papa para conceder as tais indulgências.

As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Ao cabo de duas semanas se haviam espalhado por toda a Alemanha e, em dois meses, por toda a Europa.
Este foi o primeiro episódio da História em que a imprensa teve papel fundamental, pois facilita a distribuição simples e ampla de qualquer documento.

A resposta do Papado


Depois de fazer pouco caso de Lutero, dizendo que ele seria um "alemão bêbado que escrevera as teses", e afirmando que "quando estiver sóbrio mudará de opinião"[12] o Papa Leão X ordenou, em 1518, ao professor de teologia dominicano Silvestro Mazzolini que investigasse o assunto. Este denunciou que Lutero se opunha de maneira implícita à autoridade do Sumo Pontífice, quando discordava de uma de suas bulas.
Declarou ser Lutero um herege e escreveu uma refutação acadêmica às suas teses. Nela, mantinha a autoridade papal sobre a Igreja e condenava cada "desvio" como uma apostasia.

Lutero replicou de igual forma (academicamente), dando assim início à controvérsia.

Enquanto isso, Lutero tomava parte da convenção dos agostinianos em Heidelberg, onde apresentou uma tese sobre a escravidão do homem ao pecado e a graça divina. No decorrer da controvérsia sobre as indulgências, o debate se elevou até ao ponto de duvidar do poder absoluto e autoridade do Papa, pois as doutrinas de "Tesouraria da Igreja" e "Tesouraria dos
Merecimentos", que serviam para reforçar a doutrina e venda e das indulgências, haviam se baseado na bula papal "Unigenitus", de 1343, do Papa Clemente VI. Por causa de sua oposição a esta doutrina, Lutero foi qualificado como heresiarca e o Papa, decidido a suprimir por completo os seus pontos de vista, ordenou que ele fosse chamado a Roma, viagem que deixou de ser realizada por motivos políticos.

Lutero, que anteriormente professava a obediência implícita à Igreja, negava agora abertamente a autoridade papal e apelava para que fosse realizado um Concílio.
Também declarava que o papado não formava parte da essência imutável da Igreja original.

Desejando manter relações amistosas com o protetor de Lutero, Frederico, o Sábio, o Papa engendrou uma tentativa final de alcançar uma solução pacífica para o conflito. Uma conferência com o representante papal Karl von Miltitz em Altenburg, em janeiro de 1519, levou Lutero a decidir guardar silêncio, tal qual seus opositores. Também escreveu uma humilde carta ao Papa e compôs um tratado demonstrando suas opiniões sobre a Igreja Católica. A carta nunca chegou a ser
enviada, pois não continha nenhuma retratação; e no tratado que compôs mais tarde, negou qualquer efeito das indulgências no Purgatório.

Quando Johann Eck desafiou um colega de Lutero, Andreas Carlstadt, para um debate em Leipzig,
Lutero juntou-se à discussão (27 de junho-18 de julho de 1519), no curso do qual negou o direito divino do solidéu papal e da autoridade de possuir o "poder das chaves" que, segundo ele, haviam sido outorgados à Igreja (como congregação de fé). Negou que a salvação pertencesse à Igreja Católica ocidental sob a autoridade do Papa, mas que esta se mantinha na Igreja Ortodoxa, do Oriente. Depois do debate, Eck afirmou que forçara Lutero a admitir a semelhança de sua própria doutrina com a de João Huss, que havia sido queimado na fogueira da Inquisição.

Aumenta a cisão

Lutero durante os acontecimentos






Martinho Lutero



Não parecia haver esperanças de entendimento. Os escritos de Lutero
circulavam amplamente, alcançando França,
Inglaterra
e Itália,
em 1519, e os estudantes dirigiam-se a Wittenberg para escutar Lutero que,
naquele momento, publicava seus comentários sobre a Epístola
aos Gálatas
e suas "Operationes in Psalmos" (Trabalho nos
Salmos).

As controvérsias geradas por seus escritos levaram Lutero a desenvolver suas
doutrinas mais a fundo, e o seu "Sermão sobre o Sacramento
Abençoado do Verdadeiro e Santo Corpo de Cristo, e suas Irmandades",
ampliou o significado da Eucaristia
para incluir também o perdão dos pecados e ao fortalecimento da fé naqueles
que a recebem. Além disso, ele ainda apoiava a realização de um concílio a
fim de restituir a comunhão.

O conceito luterano de "igreja" foi desenvolvido em seu "Von
dem Papsttum zu Rom
" (Sobre o Papado de Roma), uma resposta ao ataque
do franciscano
Augustin
von Alveld
, em Leipzig (junho de 1520).
Enquanto o seu "Sermon von guten Werken" (Sermão das Boas
Obras), publicado na primavera
de 1520, era contrário à doutrina católica das boas obras e dos atos como
meio de perdão, mantendo que as obras do crente são verdadeiramente boas, quer
para o secular como para o clérigo, se ordenadas por Deus.

Os tratados de 1520

A Nobreza alemã


A disputa havida em Leipzig, em 1519, fez com que Lutero travasse contato com
os humanistas,
especialmente Melanchthon,
Reuchlin
e Erasmo
de Roterdã
, que por sua vez também influenciara ao nobre Franz
von Sickingen
. Von Sickingen e Silvestre
de Schauenbur
queriam manter Lutero sob sua proteção, convidando-o para
seus castelos na eventualidade de não ser-lhe seguro permanecer na Saxônia,
em virtude da proscrição papal.

Sob essas circunstâncias de crise, e confrontando aos nobres alemães,
Lutero escreveu "À Nobreza Cristã da Nação Alemã" (agosto
de 1520), onde recomendava ao laicado,
como um sacerdote espiritual, que fizesse a reforma requerida por Deus, mas
abandonada pelo Papa e pelo clero. Pela primeira vez Lutero referiu-se ao Papa
como o Anticristo[13].

As reformas que Lutero propunha não se referiam apenas a questões doutrinárias,
mas também aos abusos eclesiásticos:
  • a diminuição do número de cardeais
    e outras exigências da corte papal;
  • a abolição das rendas do Papa;
  • o reconhecimento do governo secular;
  • a renúncia da exigência papal pelo poder temporal;
  • a abolição dos Interditos
    e abusos relacionados com a excomunhão;
  • a abolição das peregrinações nocivas;
  • a eliminação dos excessivos dias santos;
  • a supressão dos conventos para monjas, da mendicidade e da suntuosidade;
    a reforma das universidades;
  • a abrogação do celibato do clero;
  • a união dos boêmios;
  • e, finalmente, uma reforma geral na moralidade pública.

Muitas destas propostas refletiam os interesses da nobreza alemã, revoltada
com sua submissão ao Papa e, principalmente, com o fato de terem que enviar
riquezas a Roma.

O cativeiro babilônico


Lutero gerou muitas polêmicas doutrinárias com seu "Prelúdio no
Cativeiro Babilônico da Igreja
", em especial no que diz respeito aos sacramentos.
  • Eucaristia
    - apoiava que fosse devolvido o "cálice" ao laicado; na chamada
    questão do dogma da transubstanciação,
    afirmava que era real a presença do corpo e do sangue do Cristo na
    eucaristia, mas refutava o ensinamento de que a eucaristia era o sacrifício
    oferecido por Deus.
  • Batismo
    - ensinava que trazia a justificação apenas se combinado com a fé
    salvadora em o receber; de fato, mantinha o princípio da salvação
    inclusive para aqueles que mais tarde se convertessem.
  • Penitência
    - afirmou que sua essência consiste na palavra de promessa de desculpas
    recebidas com fé.

Para ele, apenas estes três sacramentos podiam assim ser considerados, pois
sua instituição era divina e a promessa da salvação de Deus estava conexa a
eles. Contudo, em sentido estrito, apenas o batismo e a eucaristia seriam
verdadeiros sacramentos, pois apenas eles tinham o "sinal visível da
instituição divina": a água no batismo e o pão e vinho da eucaristia.
Lutero negou, em seu documento, que a confirmação (Crisma),
o matrimônio, a ordenação sacerdotal e a extrema-unção
fossem sacramentos.

Liberdade de um Cristão


Da mesma forma, o completo desenvolvimento da doutrina de Lutero sobre a
salvação e a vida cristã foi exposto em "A Liberdade de um Cristão"
(publicado em 20
de novembro
de 1520,
onde exigia uma completa união com Cristo mediante a palavra através da fé, e
a inteira liberdade do cristão como sacerdote e rei sobre todas as coisas
exteriores, e um perfeito amor ao próximo).

As duas teses que Lutero desenvolve nesse tratado são aparentemente
contraditórias, mas, em verdade, são complementares:
  • "O cristão é um senhor libérrimo sobre tudo, a ninguém
    sujeito";
  • "O cristão é um servo oficiosíssimo de tudo, a todos
    sujeito".

A primeira tese é válida "na fé"; a segunda, "no
amor".

A excomunhão


A 15
de junho
de 1520, o Papa advertiu Lutero, com a bula "Exsurge Domine",
onde o ameaçava com a excomunhão, a menos que, num prazo de sessenta dias,
repudiasse 41 pontos de sua doutrina, destacados pela Igreja.

Em outubro de 1520, Lutero enviou seu escrito "A Liberdade de um
Cristão
" ao Papa, acrescentando a frase significativa:

"Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".
Enquanto isso, um rumor chegara de que Johan Ech saíra de Meissem
com uma proibição papal, enquanto este se pronunciara realmente a 21
de setembro
. O último esforço de paz de Lutero foi seguido, em 12
de dezembro
, da queima da bula, que já tinha expirado há 120 dias, e o
decreto papa de Wittenberg, defendendo-se com seus "Warum des Papstes
und seiner Jünger Bücher verbrannt sind
" e "Assertio omnium
articulorum
". O Papa
Leão X
excomungou Lutero a 3
de janeiro
de 1521,
na bula "Decet Romanum Pontificem".

A execução da proibição, com efeito, foi evitada pela relação do Papa
com Frederico
III da Saxônia
, e pelo novo imperador, Carlos
I de Espanha
(Carlos V de Habsburgo), que julgou inoportuno apoiar as
medidas contra Lutero, diante de sua posição face à Dieta.




Castelo Wartburg em Eisenach



O Imperador Carlos V inaugurou a Dieta
real a 22
de janeiro
de 1521.
Lutero foi chamado a renunciar ou confirmar seus ditos e foi-lhe outorgado um
salvo-conduto para garantir-lhe o seguro deslocamento.

A 16
de abril
, Lutero apresentou-se diante da Dieta. Johann Eck, assistente do
Arcebispo de Trier, mostrou a Lutero uma mesa cheia de cópias de seus escritos.
Perguntou-lhe, então, se os livros eram seus e se ele acreditava naquilo que as
obras diziam. Lutero pediu um tempo para pensar em sua resposta, o que lhe foi
concedido. Este, então, isolou-se em oração e depois consultou seus aliados e
amigos, apresentando-se à Dieta no dia seguinte. Quando a Dieta veio a tratar
do assunto, o conselheiro Eck pediu a Lutero que respondesse explicitamente Ã
seguinte questão:

"Lutero, repeles seus livros e os erros que eles contêm?"
Lutero, então, respondeu:

"Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável."
De acordo com a tradição, Lutero, então, proferiu as seguintes palavras:

"Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude![14]
Nos dias seguintes, seguiram-se muitas conferências privadas para determinar
qual o destino de Lutero. Antes que a decisão fosse tomada, Lutero abandonou
Worms. Durante seu regresso a Wittenberg, desapareceu.

O Imperador redigiu o Édito
de Worms
a 25
de maio
de 1521, declarando Martinho Lutero fugitivo e herege, e
proscrevendo suas obras.

Processo Romano




Martinho Lutero e o Cardeal
Caetano
, em 1557



Em Junho de 1518, foi aberto o processo contra Lutero, com base na publicação
das suas 95
Teses
. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia.
Nas aulas que ministrava na Universidade de Wittenberg, espiões registravam
seus comentários negativos sobre a excomunhão.
Depois disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.
Lutero foi convidado a ir a Roma, onde teria que desmentir sua doutrina.

Lutero recusou-se a fazê-lo, alegando razões de saúde; e pretendeu uma
audiência em território alemão. O seu pedido baseava-se no argumento (Gravamina)
da Nação Alemã. Seu pedido foi aceito, ele foi convidado para uma audiência
com o cardeal
Caetano
de Vio
(Tomás Caetano), durante a reunião das cortes (Reichstag)
imperiais de Augsburg. Entre 12 e 14 de outubro de 1518,
Lutero falou a Caetano. Este pediu-lhe que revogasse sua doutrina. Lutero
recusou-se a fazê-lo.

Do lado romano, o caso pareceu terminado. Por causa da morte de Imperador
Maximiliano I
(Janeiro de 1519),
houve uma pausa de dois anos no andamento do processo. O Imperador tinha
decidido que o seu sucessor seria Carlos (futuro Carlos
V
). Por causa das pertenças de Carlos em Itália, o papa renascentista Leão
X
receava o cerco do Estado da Igreja e procurava evitar que os príncipes-eleitores
alemães (Kurfürsten)
renunciassem a Carlos.

O papel de protetor de Lutero assumido por Frederico,
o sábio
, levou a que Roma pedisse que Karl von Miltiz intercedesse junto ao
príncipe por uma solução razoável. Após a escolha de Carlos
V
como imperador (26
de junho
de 1519),
o processo de Lutero voltaria a ser alvo de preocupações e trabalhos.

Em junho de 1520,
reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de
1521, a bula "Decet Romanum Pontificem" excomungou
Lutero. Seguiu-se, então, a ameaça oficial do imperador
(Reichsacht).

Notável é, no entanto, que Lutero foi, mais uma vez, recebido em audiência,
o que também deixou claras as diferenças entre o papado e o império.
Carlos foi o último rei (após uma reconciliação) a ser coroado imperador
pelo papa. Nos dias 17 e 18 de Abril de 1521
Lutero foi ouvido na Dieta
de Worms
(conferência governativa) e, após ter negado a revogação da sua
doutrina, foi publicado o Édito
de Worms
, banindo Lutero.

Exílio no Castelo de Wartburg

O seqüestro de Lutero durante a sua viagem de regresso da Dieta
de Worms
foi arranjado. Frederico,
o sábio
ordenou que Lutero fosse capturado por um grupo de homens
mascarados a cavalo, que o levaram para o Castelo
de Wartburg
, em Eisenach,
onde ele permaneceu por cerca de um ano. Deixou crescer a barba e tomou as
vestes de um cavaleiro, assumindo o pseudônimo
de Jörg.
Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua célebre tradução
da Bíblia
para o alemão.




Martinho Lutero pregando no Castelo Wartburg, quadro de Hugo
Vogel



Com o início da estadia de Lutero em Wartburg, começou um período muito
construtivo de sua carreira como reformista. Em seu "Deserto"
ou "Patmos"
(como ele mesmo chamava, em suas cartas) de Wartburg, começou a tradução da Bíblia,
da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1522.

Em Wartburg, ele produziu outros escritos, preparou a primeira parte de seu Guia
para Párocos
e "Von der Beichte" (Sobre a Confissão),
em que nega a obrigatoriedade da confissão,
e admite como saudável a confissão privada voluntária. Também escreveu
contra o Arcebispo
Albrecht,
a quem obrigou, com isso, a desistir de retomar a venda das indulgências. Em
seus ataques a Jacobus
Latomus
, avançou em sua visão sobre a relação entre a graça
e a lei, assim como sobre a natureza revelada pelo Cristo, distinguindo o
objetivo da graça de Deus para o pecador que, por acreditar, é justificado por
Deus devido à justiça de Cristo, pois a graça salvadora reside dentro do
homem pecador. Ainda mostrou que o "princípio da justificação" é
insuficiente, ante a persistência do pecado depois do batismo - pela inerência
do pecado em cada boa obra.

Lutero, amiúde, escrevia cartas a seus amigos e aliados, respondendo-lhes ou
perguntando-lhes por seus pontos de vista e respondendo-lhes aos pedidos de
conselhos. Por exemplo, Felipe
Melanchthon
lhe escreveu perguntando como responder à acusação de que os
reformistas renegavam a peregrinação e outras formas tradicionais de piedade.
Lutero respondeu-lhe em 1
de agosto
de 1521:

"Se és um pregador da misericórdia, não pregues uma misericórdia imaginária, mas sim uma verdadeira. Se a misericórdia é verdadeira, deve penitenciar ao pecado verdadeiro, não imaginário. Deus não salva apenas aqueles que são pecadores imaginários. Conheça o pecador, e veja se os seus pecados são fortes, mas deixai que tua confiança em Cristo seja ainda mais forte, e que se alegre em Cristo que é o vencedor sobre o pecado, a morte e o mundo. Cometeremos pecados enquanto estivermos aqui, porque nesta vida não há um só lugar onde resida a justiça. Nós todos, sem embargo, disse Pedro (2ª Pedro 3:13), estamos buscando mais além um novo céu e uma nova terra onde a justiça reinará".





Seu quarto no castelo de Wartburg, em Eisenach.



Enquanto isso, alguns sacerdotes saxônicos
haviam renunciado ao voto de castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos
atacavam os votos monásticos. Lutero, em seu De votis monasticis (Sobre
os votos monásticos
), aconselhava-os a ter mais cautela, aceitando, no
fundo, que os votos eram geralmente tomados "com a intenção da salvação
ou à busca de justificação
". Com a aprovação de Lutero em seu
"De abroganda missa privata (Sobre a abrogação da missa privada),
mas contra a firme oposição de seu prior,
os agostinianos de Wittenberg realizaram a troca das formas de adoração e
terminaram com as missas. Sua violência e intolerância certamente desagradaram
Lutero que, em princípios de dezembro, passou alguns dias entre eles. Ao
retornar para Wartburg, escreveu "Eine treue Vermahnung... vor Aufruhr
und Empörung
" (Uma sincera admoestação
por Martinho Lutero a todos os cristãos para que se resguardem da insurreição
e rebelião
). Apesar disso, em Wittengerg, Carlstadt
e o ex-agostiniano Gabriel
Zwilling
reclamavam a abolição da missa privada e da comunhão em duas espécies,
assim como a eliminação das imagens nas igrejas e a abrogação do celibato.

Regresso a Wittenberg e os Sermões
Invocavit


No final do ano de 1521, os anabatistas
de Zwickau se
entregam à anarquia.
Contrário a tais concepções radicais e temendo seus resultados, Lutero
regressou em segredo a Wittenberg, em 6
de março
de 1522.
Durante oito dias, a partir de 9
de março
(domigo de Invocavit)
e concluindo no domingo seguinte, Lutero pregou outros tantos sermões que
tornaram-se conhecidos como os "Sermões de Invocavit".

Nessas pregações, Lutero aconselhou uma reforma cuidadosa, que leve em
consideração a consciência daqueles que ainda não estivessem persuadidos a
acolher a Reforma.
A consagração do pão foi restaurada por um tempo e o cálice sagrado foi
ministrado somente àqueles do laicado que o desejaram. O cânon
das missas, devido ao seu caráter imolatório, foi suprimido. Devido ao
sacramento da confissão ter sido abolido, verificou-se a necessidade que muitas
pessoas ainda tinham de confessar-se em busca do perdão. Esta nova forma de
serviço foi dada a Lutero em "Formula missæ et communionis" (Fórmula
da missa e Comunhão
), de 1523. Em 1524 surgiu o primeiro hinário de Wittenberg,
com quatro hinos.

Como aquela parte da Saxônia
era governada pelo Duque
Jorge, que proibira seus escritos, Lutero declarou que a autoridade civil não
podia promulgar leis para a alma. Fez isso em sua obra: "Über die
weltliche Gewalt, wie weit man ihr Gehorsam schuldig sei
" (Autoridade
Temporal: em que medida deve ser obedecida
).

Matrimônio e família


Em abril de 1523,
Lutero ajudou 12 freiras
a escaparem do cativeiro no Convento
de Nimbschen.
Entre essas freiras encontrava-se Catarina
von Bora
, filha de nobre família , com quem veio a se casar, em 13
de junho
de 1525.
Dessa união nasceram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul
e Margaretha.

O casamento de Lutero com a ex-freira cisterciense
incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma.
Foi um rompimento definitivo com a Igreja Romana.

A guerra dos camponeses


A guerra
dos camponeses
(1524-1525)
foi, de muitas maneiras, uma resposta aos discursos de Lutero e de outros
reformadores. Revoltas de camponeses já tinham existido em pequena escala em Flandres
(1321-1323),
na França (1358),
na Inglaterra (1381-1388),
durante as guerras hussitas
do século
XV
, e muitas outras até o século
XVIII
. Mas muitos camponeses julgaram que os ataques verbais de Lutero Ã
Igreja e sua hierarquia significavam que os reformadores iriam igualmente apoiar
um ataque armado à hierarquia social. Por causa dos fortes laços entre a nobreza
hereditária e os líderes da Igreja que Lutero condenava, isso não seria
surpreendente.

Já em 1522,
enquanto Lutero estava em Wartburg, alguns de seus colaboradores perverteram
seus ensinamentos e passaram a pregar mensagens revolucionárias por toda a
Alemanha. Enfatizava-se a formação de um grupo de "santos"
(espalharam boatos de que esses santos, seriam a causa da derrota da Igreja Católica),
com a tarefa de lutar contra a autoridade constituída e promover a aniquilação
dos "ímpios" (i.e. a Igreja Católica). Um desses pregadores foi Tomas
Müntzer
.

A mensagem escatológica de Müntzer,
na verdade, pouco tinha a ver com a proposta dos camponeses. Tanto assim que ele
procurou a nobreza da Saxônia
para obter apoio. Com a negativa desta e a eclosão dos conflitos camponeses no
sudoeste alemão, ele logo viu o instrumento para a concretização de seus
planos.

Lutero, desde cedo, prevenira a nobreza e os próprios camponeses sobre uma
possível a revolta e, particularmente, sobre Müntzer, classificando-o como um
dos "profetas do assassínio" e colocando-o como um dos
mentores do movimento camponês. Lutero escreveu a "Terrível História
e Juízo de Deus sobre Tomas
Müntzer
", inaugurando essa linha de pensamento.

Na iminência da revolta (1524), Lutero escreveu a "Carta aos Príncipes
da Saxônia sobre o Espírito Revoltoso
", mostrando a tirania dos
nobres que oprimiam o povo e a loucura dos camponeses em reagir através da força
e a confiar em Müntzer como pregador. Houve pouca repercussão sobre esse
escrito.

Ainda em 1524, Müntzer mudou-se para a cidade
imperial
de Mühlhausen,
oferecendo-se como pregador. Lutero escreveu a "Carta Aberta aos
Burgomestres, Conselho e toda a Comunidade da Cidade de Mühlhausen
",
com o propósito de alertar sobre as intenções de Müntzer. Também esse
escrito não teve repercussão, pois o conselho da cidade se limitou a pedir
informações sobre Müntzer na cidade imperial de Weimar.

O principal escrito dos camponeses eram os "Doze Artigos",
onde suas reivindicações eram expostas. Neles havia artigos de fundo teológico
(direito de ouvir o Evangelho através de pregadores chamados por eles próprios)
e artigos que tratavam dos maus tratos (exploração nos impostos, etc.)
impostos a eles pelos nobres. Os artigos eram fundamentados com passagens bíblicas
e dizia-se que se alguém pudesse provar pelas Escrituras que aquelas reivindicações
eram injustas, eles as abandonariam. Entre aqueles que se consideravam dignos de
fazer tal coisa estava o nome de Martinho Lutero.

De fato, Lutero escreveu sobre os "Doze artigos" em seu
livro "Exortação à Paz: Resposta aos Doze artigos do Campesinato da Suábia",
de 1525. Nele, Lutero ataca os príncipes e senhores por cometerem injustiças
contra os camponeses e ataca os camponeses pela rebelião e desrespeito Ã
autoridade.

Também esse escrito não teve repercussão e, durante uma viagem pela região
da Turíngia,
Lutero pôde testemunhar as revoltas camponesas, o que o motivou a escrever o
"Adendo: Contra as Hordas Salteadoras e Assassinas dos Camponeses".
Tratava-se de um apêndice de "Exortação à Paz...", mas que,
rapidamente, tornou-se um livro separado. O Adendo foi publicado quando a
revolta camponesa já estava no final e os príncipes cometiam atrocidades
contra os camponeses derrotados, de modo que o escrito causou grande revolta da
opinião pública contra Lutero. Nele, Lutero encorajava os príncipes a
castigarem os camponeses até mesmo com a morte.

Essa repercussão negativa obrigou Lutero a pregar um sermão no dia de pentecostes,
em 1525, que se tornou o livro "Posicionamento do Dr. Martinho Lutero
Sobre o Livrinho Contra os Camponeses Assaltantes e Assassinos
", onde o
reformador contesta os críticos e reafirma sua posição anterior.

Como ainda havia repercussão negativa, Lutero novamente se posicionou sobre
a questão no seu "Carta Aberta a Respeito do Rigoroso Livrinho Contra
os Camponeses
", onde lamenta e exorta contra a crueldade que estava
sendo praticada pelos príncipes, mas reafirma sua posição anterior.

Por fim, a pedido de um amigo, o cavaleiro
Assa
von Kram
, Lutero redigiu "Acerca da Questão, Se Também Militares
Ocupam uma Função Bem-Aventurada
", em 1526,
com o propósito de esclarecer questões sobre consciência do cristão em caso
de guerra e sua função como militar.

A discordância com João Calvino

No movimento reformista (também chamado de Reforma),
Lutero não concordou como o "estilo" de reforma de João
Calvino
. Martinho Lutero queria reformar a Igreja
Primitiva
, enquanto João Calvino, acreditava que a Igreja estava tão
degenerada, que não havia como reformá-la. Calvino se propunha a organizar uma
nova Igreja que, na sua doutrina (e também em alguns costumes), seria idêntica
à Igreja Primitiva. Já Lutero decidiu reformá-la, fundando, então, o Protestantismo,
que não seguia tradições, mas apenas a doutrina registrada na Bíblia,
e cujos usos e costumes não ficariam presos a convenções ou épocas. A
doutrina luterana está explicitada no "Livro de Concórdia", e
não muda, embora os costumes e formas variem de acordo com a localidade e a época.

Obras importantes

Foi o autor de uma das primeiras traduções da Bíblia
para alemão,
algo que, naquela época, não era permitido pela Igreja católica sem especial
autorização eclesiástica. Lutero, contudo, não foi o primeiro tradutor da Bíblia
para alemão. Já havia traduções mais antigas. A tradução de Lutero, no
entanto, suplantou as anteriores porque, além da qualidade da tradução, foi
amplamente divulgada em decorrência da sua difusão por meio da imprensa,
desenvolvida por Gutenberg,
em 1453.

O latim, língua
do extinto Império
Romano
, permanecia a lingua
franca
européia, imediatamente conotada com o passado romano glorioso,
uma era de ciência, de progresso econômico e civilizacional, sendo também a língua
dos textos sagrados, tal como tinham sido transmitidos às províncias do Império.
Por mais longínquas que fossem, nos menos de cem anos que separam a oficialização
da religião cristã pelo Imperador Romano Teodósio
I
em 380 d.C. e a
deposição do último imperador de Roma pelo Germânico Odoacro,
em 476 d.C.(data avançada
por Edward
Gibbon
e convencionalmente aceita como ano da queda do Império
Romano do Ocidente
), toda a região, de forma mais ou menos homogênea, se
cristianizou. O fim da perseguição à religião cristã pelo império romano
se deu em 313 d.C. (Ver: Édito
de Milão
, Concílio
de Niceia
, Constantino
I
, A
história do declínio e queda do império romano
, Santo
Jerónimo
).

No entanto, o domínio do latim
era, no século
XVI
, no fim da Idade
Média
(terminada oficialmente em 1453,
com a tomada de Constantinopla
pelos Otomanos)
e princípio da chamada Idade
Moderna
, apenas o privilégio de uma percentagem ínfima de população
instruída, entre os quais os elementos da própria Igreja.
A tradução de Lutero para o alemão foi simultaneamente um ato de desobediência
e um pilar da sistematização do que viria a ser a língua
alemã
, até aí vista como uma língua inferior, dos servos e ignorantes.
É preciso adicionar que Lutero não se opunha ao latim, e chegou mesmo a
publicar uma edição revisada da tradução latina da Bíblia (Vulgata).
Lutero escrevia tanto em latim como em alemão. A tradução da Bíblia para o
alemão não significou, portanto, rejeição do latim como língua acadêmica.

Foi também autor da polêmica obra "Sobre
os judeus e suas mentiras
". Pouco conhecida, mas muito apreciada pelo
próprio Lutero, foi sua resposta a "Diatribe"
de Erasmo
de Roterdã
intitulada De
servo arbitrio
(Título da publicação em português: Da vontade
cativa
).

Histórico da Obra

Histórico das Igrejas em Obra de Restauração no Brasil


O material contido neste histórico foi coletado em sites e através de pesquisas que duraram um ano e cinco meses, e está sendo disponibilizado gratuitamente para os que ainda não conhecem nosso histórico.

Primeiro Livro

O colapso das “Igrejas Evangélicas”


A obra apresenta dezesseis artigos relacionados à vida e à identificação de algumas igrejas evangélicas que passam, segundo o próprio autor, que é evangélico, por um colapso da apostasia.

Segundo Livro

Perdoa-nos assim como nós perdoamos
Você perdoa facilmente? Ama intensamente? Briga com facilidade? Tem muitos amigos? Confia em muitas pessoas? Sabe dizer quando está certa ou errada? Prefere morrer por quem ama, ou viver sem a pessoa amada? Considera-se uma pessoa controlada?

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Ora, daqueles que pareciam ser alguma coisa, esses, nada me acrescentaram,antes, pelo contrário, (Gálatas 2.6)